Li no jornal A Crítica que os dirigentes de futebol querem mais dinheiro do poder público para que o esporte se desenvolva. Mas esses mesmo dirigentes esquecem que já receberam dinheiro demais nos últimos 20 anos pelo menos, seja diretamente ou seja por incentivos fiscais. Falta mesmo é profissionalismo para esses mesmos dirigentes. Senão vejamos.
Lembro que há alguns anos fui captar recursos junto ás empresas do Pólo Industrial para alguns clubes. A primeira exigência que as empresas fazem é ter um projeto detalhado mostrando onde os recursos serão investidos, qual o retorno da empresa, o que é justo. A elaboração desses projetos inclui um plano de comunicação, planejamentos estratégico e gestão profissional.
Como era um investimento, fiz o projeto e os dirigentes dos clubes deram a primeira mostra de que ainda tinha muito a aprender. Pediram para refazer o projeto, mais exatamente a parte da planilha de custos porque estava muito detalhada. Como assim? Mas é exatamente essa transparência que as empresas patrocinadoras querem. Desisti.
Falei em incentivos fiscais, não foi? No final dos anos 90 e começo de 2000, o governo estadual manteve o programa ‘Eu quero a nota’, em que as pessoas trocavam notas fiscais por ingressos para os jogos do campeonato amazonense e das demais competições como a Copa Norte e série B do Campeonato Brasileiro, em que o São Raimundo era o representante amazonense.
Mas dirigente brasileiro, e mais especialmente o amazonense, não tem jeito. Os borderôs mostravam que sempre havia público nos jogos, mesmo que as arquibancadas quase vazias dissessem o contrário. Isso no campeonato estadual, na Copa Norte era casa cheia sempre. Ou seja, os clubes recebiam o reembolso do governo por ingressos que foram troados sabe-se lá por quem.
Nesse espaço de tempo o São Raimundo poderia, em função do que arrecadou, ter feito uma bela reforma no seu estádio, o Ismael Benigno, mas nada fez e hoje pede recursos do governo do estado para que o estádio esteja em condições para ser um campo de treinamento para uma das seleções que disputará a primeira fase da Copa do Mundo em 2014.
No ano passado me chamaram para dar uma força novamente elaborando um projeto para captação de patrocínio. A primeira reunião tudo ok. Levei os dirigentes a um órgão público e, para segunda reunião, quando o projeto ainda sofria ajustes, não na planilha de custos, mas no Plano de Comunicação, já havia sido feita uma reunião sem sequer ter sido chamado para participar. Ou seja, pernada. O clube ainda deve pelo projeto que foi acertado ser pago. Nem espero receber. Aprendi que quem deve, procura quitar suas dívidas.