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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mas o que é prioridade para Arthur Neto e para Manaus?


Foi com grande estardalhaço que a prefeitura de Manaus anunciou, esta semana, as obras na avenida Djalma Batista, um dos principais corredores de acesso dos bairros da Zona Norte e Centro-Oeste ao centro da cidade. Até aí, tudo bem, não fosse alguns pequenos detalhes que não podem deixar de ser reparados. A obra custará R$ 15 milhões de reais e poderá sofrer alterações conforme forem sendo feitas as indenizações aos proprietários de terrenos da área.
Ora, a região da Djalma Batista comporta um importante centro comercial, como ressalta a prefeitura, e tem um dos espaços mais valorizados da cidade. Certamente a desapropriação de terrenos para dar espaço a calçadas com três metros de largura deverá elevar o custo da obra a níveis que talvez nem mesmo a prefeitura possa mensurar, dobrar ou até mesmo triplicar.  
Um outro ponto remete ao estabelecimento de prioridades que Manaus exige. A questão do trânsito em Manaus é urgente e envolve muitos fatores como asfaltamento, sinalização, acessibilidade universal (isso inclui ciclovias, atendimento a portadores de necessidades especiais, calçadas) reorganização do tráfego no centro da cidade e melhorias das vias de escoamento do fluxo de veículos.
A própria Djalma Batista é um gargalo em vários pontos, mas o fundamental não é exatamente no trecho em que será feita a obra e sim não menos que 500 metros depois, na área da Unip até o Carrefour de Flores. Ali sim recebe um fluxo de veículos que vem de outra importante avenida, a Paraíba e de onde também chega outros veículos de quem tenta atalhar pelo bairro do Parque Dez através do bairro da União.

Isso sem contar o próprio centro da cidade que, já saturado e com poucas possibilidades de melhorias em suas vias, precisa de outras soluções mais urgentes e que toca em uma promessa de campanha: a retirada dos camelôs da região da praça da Matriz. O prefeito Arthur Neto, ainda em campanha, fez um mea culpa sobre o que ocorreu em seu primeiro mandato, iniciado em 1989, quando para retirar os camelôs do centro, o fez sob forte repressão policial, sendo que não atingiu seu intento e ainda teve a imagem política atrelada a este episódio.
Lembro também que, ano passado, durante a campanha eleitoral, o então candidato a prefeito e hoje secretário de educação, Pauderney Avelino, reuniu uma equipe de engenheiros e arquitetos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), entre eles o hoje secretário do Implurb, Roberto Moita, sob a batuta do ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, para elaborar um plano de intervenções urbanas em Manaus que melhorariam a infra-estrutura de trânsito. O nome do projeto é bem apropriado: Manaus do Amanhã e a ideia era tornar Manaus uma nova Curitiba. 
Entre outras coisas, o projeto previa a revitalização da área da Manaus Moderna (conforme foto acima) com a construção de um porto de cargas e fluvial que atenderia barcos de turismo e transporte de passageiros, a retirada dos camelôs da praça da Matriz sendo alocados em uma área ao lado da feira da Manaus Moderna, onde também está previsto para ser o terminal do BRT vindo da zona Leste de Manaus. O BRT foi adiado para depois da Copa de 2014, já que teve seu orçamento atrelado ao do monotrilho, que está embargado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por problemas no projeto executivo, indícios de sobrefaturamento e outros vícios de licitação.
O Centro de Manaus, todos que moram aqui sabem, é o grande gargalo do trânsito em muitos aspectos: pelo menos 90 dos ônibus que circulam na cidade passam por lá. As vias de acesso (avenida Constantino Nery, Djalma Batista, Leonardo Malcher, Ramos Ferreira, Alexandre Amorim e Lourença da Silva Braga) ficam simplesmente intransitáveis nos horários de pico, congestionando outras vias em diversos pontos. As soluções? Estavam previstas neste projeto Manaus do Amanhã. Roberto Moita conhece bem, sabe o que tem que ter feito. 
Cabe ao prefeito Arthur Neto determinar o que de fato é prioridade para resolver este problema do trânsito. Se fazer intervenções na área central e na confluência das avenidas Recife e Paraíba, ou fazer uma obra que já está sendo chamada de "obra de cartão postal", em uma clara referência à Ponte do Bilhão, ops, Ponte Rio Negro, por muitos cidadãos que aguardavam algo mais de quem tão bem representava o Amazonas no senado.
Ontem,, em discussões sobre o assunto nas redes sociais, Facebook sobretudo, vários questionamentos foram feitos e uma das respostas dadas por assessores da prefeitura era: vamos aguardar. Ora, Manaus já não tem mais tempo parar aguardar e tampouco seus habitantes. E, sim, o momento é este de fazer os questionamentos, antes que as obras sejam inciados, recursos que a cidade não dispõe para medidas que não são tão prioritárias assim sejam tomadas.
Estabelecer prioridades, caro prefeito é, antes de mais nada, ouvir e atender os clamores do povo. Pelo bem da cidade que governas.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Proama terá tarifa social para compensar investimento

Gosto de reconhecer quando se toma uma boa medida governamental. E ontem um desses casos quando, foi anunciado o acordo entre governo do estado e prefeitura de Manaus sobre como vai operar o sobre o Programa Água para Manaus (Proama), complexo de captação e distribuição de água localizado na Porto das Lajes, zona leste da cidade, que atenderá 500 mil pessoas. A previsão da entrada de operação é em dezembro deste ano. Falou mais alto o interesse coletivo e um bom aproveitamento dos R$ 368 milhões que custaram a obra. 
Tarifa social, delegacia própria para investigar furtos e fraudes do sistema de distribuição de água e regulamentação do Plano Estadual de Recursos hídricos estão previstos e bem amarrados. Claro que o desenrolar político disso, sobretudo em ano pré-eleitoral, também foi avaliado e levado em consideração. Também este processo será acompanhado pelos órgãos fiscalizadores e por nós cidadãos.
Segue mais informações fornecidas pela Agência de Comunicação do Estado!
Nos próximos dias, o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus encaminharão mensagens governamentais à Assembleia Legislativa do Estado (ALE) e à Câmara Municipal de Manaus (CMM), respectivamente, com as regras do modelo de gestão. Após a aprovação das casas legislativas e publicação da lei, o consórcio ganha personalidade jurídica e é convertido em contrato de parceria, com vigência até julho de 2045.
Conforme as regras do Consórcio Público, a operação do complexo de captação, tratamento e os reservatórios de água do Proama será concedida por meio de processo licitatório. As obras de interligação do complexo à rede de distribuição da cidade caberão à Manaus Ambiental, que deverá apresentar planilha de investimentos. 
De acordo com o governador Omar Aziz, ele e o prefeito Arthur Neto fiscalizarão as obras de interligação que devem começar a ser realizadas pela Manaus Ambiental na próxima semana. São 40 mil ligações para 130 mil residências, beneficiando cerca de 500 mil pessoas. “Não estamos pedindo um favor. A Manaus Ambiental tem a obrigação de fazer as obras complementares para as zonas norte e leste da cidade, pois a empresa é quem tem contrato de concessão do sistema de abastecimento de Manaus com a Prefeitura”, frisou.
Contrapartidas – Pelo modelo de gestão desenhado no Consórcio Público, a empresa que vencer a licitação para operar o Proama terá que remunerar o Governo Estadual como compensação ao investimento realizado. “Nós não estaremos dando de graça. O investimento feito pelo povo amazonense para que fosse feito o Proama, será revertido para a própria população”, destacou o governador, ao detalhar que 60% do lucro da operação do Proama serão do Governo Estadual; 30% da empresa que vai operar o complexo e 10% da Prefeitura de Manaus, para que faça investimentos na área de saneamento na cidade.
A concessionária do Proama vai fornecer água tratada no atacado à Manaus Ambiental, que vai pagar pelo serviço prestado. O valor da tarifa da água no atacado, bem como seu reajuste e revisão, vão considerar os custos de prestação dos serviços com base nos volumes medidos mensalmente. Segundo o protocolo, não serão contabilizados no custo tarifário os investimentos dos Governos Federal e Estadual, que devem ser a base para a criação e custeio da tarifa social a ser implementada para a população de baixa renda das zonas norte e leste da cidade.
De acordo com Omar Aziz, a tarifa social contemplará as famílias que compõem o cadastro do Programa Bolsa Família e que tenham consumo de 15 metros cúbicos de água por mês, limite que era de 10 metros cúbicos antes do Consórcio Público. Como contrapartida social, as famílias beneficiárias do Bolsa Família também não serão cobradas pelas ligações de abastecimento que serão feitas pela concessionária.
Segundo o governador, com a entrada em funcionamento do Proama, os poços artesianos que hoje existem nas zonas norte e leste de Manaus, serão desativados imediatamente, para que Governo do Estado também cumpra com seu papel na área ambiental.
“Estamos cumprindo essas etapas para dar uma solução definitiva. Quero dizer às pessoas que passaram a vida sofrendo por falta de um bem tão importante, que é a água, que eu e o Arthur não estamos medindo esforços para resolver esse problema o mais rápido possível”, destacou Omar Aziz.
O complexo do Proama vai produzir em média 2,5 metros cúbicos de água por segundo e vai beneficiar moradores de 21 bairros nas duas zonas mais populosas de Manaus. Somando com os cerca de 7 m³/s produzidos pela Manaus Ambiental, além de 1,5 m³/s do Mauazinho e 1,5 m³/s dos sistemas isolados (poços artesianos), a produção deve ultrapassar a demanda da cidade.
Consórcio - O modelo de gestão associada adotado pelo Governo do Estado segue as diretrizes do Ministério das Cidades e é o mais adequado para a interligação do Proama ao atual sistema de abastecimento de Manaus. O protocolo elaborado pelas procuradorias Geral do Estado (PGE) e do Município (PGM) foi feito com base na Lei Federal 11.107, que dispõe sobre a contratação de consórcios públicos. O documento detalha as normas de criação da direção, assembleia geral, conselhos fiscal e de regulação, gestão administrativa, estatuto do Consórcio Público, além dos critérios para criação de cargos públicos e contratação de temporários.
O Consórcio Público será presidido pelo prefeito de Manaus, Arthur Neto, com fiscalização de funcionamento a cargo do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O Consórcio Público terá a função de regular e fiscalizar o fornecimento de água em atacado. A gestão e operação compreendem os serviços de captação de água, tratamento e reserva, além das ações de combate ao desperdício, regulamentação do uso dos lençóis freáticos e controle efetivo da potabilidade da água.
Medidas complementares - De acordo com o protocolo de intenções, o Governo do Estado e a Prefeitura vão implementar algumas medidas para garantir o funcionamento do complexo, independentemente das medidas já cabíveis ao Consórcio Público. O Governo do Estado deve criar uma delegacia especializada para combater furtos e fraudes do sistema e regulamentar a Política Estadual de Recursos Hídricos, com vistas ao cadastramento ou licenciamento dos sistemas de captação de águas, inclusive por meio de poços e suas interligações.
Entre os compromissos assumidos pela Prefeitura de Manaus está a criação e revisão do Plano Anual de Metas e Investimentos da nova concessionária com as obras e serviços necessários a interligação do Proama ao sistema de abastecimento da capital. A Prefeitura promete exigir aporte de recursos da empresa privada para a consecução do plano. Outro compromisso assumido pela administração municipal é o desenvolvimento do plano municipal de saneamento e a implementação da tarifa social com gratuidade da ligação domiciliar para famílias de baixa renda, com consumo de 15 metros cúbicos de água por mês.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Quantas mortes mais para retirar o aeroclube?

Foto de Pamela Alana


Há pouco menos de um ano aconteceu um acidente com vítimas fatais próximo ao Aeroclube de Manaus. Hoje, houve mais um acidente, sem vítimas fatais, mas que coloca em cheque o papel da Câmara dos Vereadores. Lembro de discursos inflamados de vereadores pedindo providências para retirar o aeroclube ali do Parque das Laranjeiras, área residencial e, portanto, em não-conformidade com as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Na época escrevi sugerindo que inclusive fosse transferido para outro local e desse espaço para a construção de uma rodoviária decente, tendo em vista que a que Manaus possui hoje nem me atrevo a chamar de rodoviária.

Bem, como a reforma do aeroporto em andamento, duvido muito que se faça alguma alteração para mudar o aeroclube para lá ou, justamente por isso, se faça a alteração. Mas é preciso que se faça estudos hoje de viabilidade econômica, ambiental e legal. A bem da verdade, este estudo já está feito, tendo em vista que pode ser utilizado o mesmo que foi feito pelo Programa de Apoio à Elaboração dos Planos Municipais de Saneamento e Gestão Integrada de Resíduos Sólidos dos Municípios do Estado do Amazonas (PLAMSAN).

Esse estudo foi direcionado para a construção de aterros sanitários, que por via de regra devem ficar longe de aeroportos. Basta fazer uma adequação. Levar o aeroclube para a região de Iranduba não é má ideia, ainda mais com o advento da ponte rio Negro. Mas são sugestões e penso que merecem ser pelo menos discutidas.

Eu espero, a bem da verdade, que não nos limitemos a apenas debater o tema e não fazer nenhuma ação e, no próximo acidente, volte-se o tema a ser discutido. Espera-se muito dessa nova gestão, mas não pode-se colocar nas costas dela essa responsabilidade sozinha. A área do aeroclube é da Aeronáutica e, portanto, envolve o governo federal.

Manaus é uma cidade de dois milhões de habitantes, uma metrópole, portanto, e merece bem mais do que o descaso do poder público e  o silêncio de sua população para resolver seus problemas.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Jornalismo vilipendiado

Há alguns dias vi um texto do Sílvio Silva sobre a queda da qualidade do jornalismo digital.  Talvez você não tenha ideia do funcionamento de um portal e dos seus custos. É preciso ter repórter, editor, fotógrafo e mais ainda motorista e uma certa infra-estrutura.
Conversando com um amigo jornalista, que recebeu convite para ser editor de um portal de notícias que possui esta infra-estrutrura, pude entender porque a qualidade das notícias é tão questionável. Ele foi convidado para trabalhar nove horas por dia e receber o salário de R$ 2.800,00. Caso a carga horária fosse de cinco horas, o salário despencaria para R$ 1.500,00.
Mas o mais grave não é isso. Simplesmente essa carga horária de nove horas não existe na legislação de jornalismo. O Sindicato dos Jornalistas deveria agir nesses casos, mas simplesmente não tem força para mudar nada. Pelo simples motico de que não encontra respaldo dentro da própria categoria. E não é pela questão do diploma, pois não se exige o diploma, mas se exioge o registro de jornalista para exercer a profissão. Até porqu eu penso que não é um diploma que faz um bom jornalista.
Art. 303 - A duração normal do trabalho dos empregados compreendidos nesta Seção não deverá exceder de 5 (cinco) horas, tanto de dia como à noite.
 E jornalistas estão compreendidos nessa seção.
Isso explica muita coisa e, pior que as explicações, é que tem muitos que, por quererem buscar espaço no mercado de trabalho, acaba, se sujeitando a contrariar a lei e aparecendo na foto. Daí que para ser editor, é preciso que a pessoa tenha experiência, ter passado por pelo menos umas duas ou três editorias, ter liderança e outras características inerentes a um cargo importante como é.
Mas a preocupação dos portais hoje, decididamente não é por qualidade, mas sim sair atabalhoadamente na frente com a notícia, nem que ela seja desmentida horas depois ou simplesmente retirada sem dar nenhuma explicação como se nada tivesse acontecido. Essa falta de preocupação não é limitada aos portais não. Lamentavelmente os proprietários de veíoculos de comunicação nunca deram muita importância ao seu maior patrimônio: credibilidade. Sobre isso já escrevi anteriormente.
 
O efeito mais nocivo que isso tem para o jornalismo é que, como tem gente que se submete a fazer isso, acaba vilipendiando o mercado e não raro vemos colegas se queixando de que precisa ter dois ou mais empregos e ainda fazer uns bicos vendendo perfumes e roupas e coisa do gênero para sobreviver. É como minha avó já dizia: meu filho, emprego é que nem alça de caixão, se alguém largar, vem outro e pega!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Deixem o roadway em paz!

Nesta terça-feira o Secretário Especial de Portos, Márcio Lima Júnior, chegou em Manaus para fazer uma avaliação da área do Porto de Manaus e da Manaus Moderna. De acordo com a informações passadas para a imprensa, ele fez um vôo pela área e depois foi conhecer a região. Após dez anos sob concessão para a família De Carli, o porto voltou a ser administrado pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (DNIT), atualmente presidido por Afonso Lins Júnior.

O superintendente afirmou que já existe um projeto de revitalização do porto, construído na época da borracha pelos ingleses e que todos conhecem como "Roadway" que inclui também a área da Manaus Moderna. O objetivo será atender os transatlânticos e também os barcos regionais que levam e trazem cargas e passageiros do interior do estado.

Particularmente eu penso que é mais do que necessário essa obra. Também entendo que o Roadway já não comporta mais um fluxo de cargas e passageiros, coisa que, aliás, já não vem acontecendo desde que foi privatizado. E isso se dá por um simples motivo: dinheiro. Quando fizeram a concessão do porto, estabeleceram taxas que acabaram por inviabilizar a permanência da maioria dos barcos na área do Roadway e, mesmo que os armadores pudessem pagar, também já não haveria fisicamente condições de abrigar todos.

O que aconteceu então? Uma boa parte dos barcos passaram a aportar na Manaus Moderna e Educandos, outros vindos do rio Negro passaram a ir para portos improvisados no bairro de São Raimundo e Aparecida e poucos ficaram no roadway.

Na campanha para a prefeitura no ano passado, o então candidato e hoje secretário de educação, Pauderney Avelino, apresentou uma proposta muito interessante para a área da Manaus Moderna:


O projeto foi elaborado pela equipe do ex-prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, chefiada pelo arquiteto Guilherme Takeda, e envolve não apenas o porto que ficaria localizado na Manaus Moderna, como o terminal do BRT que ficaria exatamente ao lado da Feira da Manaus Moderna e ainda teria espaço para o Shopping Popular que abrigaria os camelôs que seriam retirados da área do Centro.


Não sei no que consiste esse projeto elaborado pelo DNIT, mas imagino que, para o bem da cidade e do Estado, unam-se agora o governo federal através do órgão federal, a prefeitura de Manaus e o governo do Estado, para que este projeto seja levado a cabo e vire Manaus de frente para o rio Negro, pois hoje ela está de costas.

Quanto ao Roadway, tenho uma outra sugestão: que ele seja revitalizado mas da seguinte maneira: deixe ele para receber os transatlânticos, com uma infra-estrutura idêntica aos dos aeroportos, com duty free, uma bela área de bares e restaurantes, com pessoal treinado em vários idiomas e, claro, com pratos regionais e atrações culturais com a nossa cara.

Sim, porque a última coisa que quero, e imagino que todos de Manaus queiram, é que este patrimônio histórico que é o Roadway seja destruído, a exemplo do Cine Guarany e de tantos outros prédios que carregaram a nossa história, seja destruído.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Transporte público é coisa séria!

Apavorante isso! Coisas de Manaus!

É um descalabro mesmo! Esse tipo de imagem, nós, aqui de Manaus, estamos acostumados a ver pela televisão lá o Rio de Janeiro, com as pessoas se dependurando nos trens. A imagem registrada pelo Washinton Lins hoje pela manhã dá uma ostra do quanto de trablaho o prefeito Arthur Neto terá para resolver esse problema que a cada dia piora mais!
 
Melhorar o asfaltamento o prefeito sabe que tem que fazer. Deixar de ser refém dos emrpesa´rios que muito exigem e pouco fazem para melhorar o transporte coletivo é uma outra atitude necessária. Obras como o BRT e monotrilho também serão necessárias, mas é preciso pensar em soluções práticas, eficientes e de curto prazo. Mas quero dar minha contribuição de cidadão preocupado com os rumos que nossa cidade vem tomando nos últimos 30 anos:
 
1 - Aumento da frota dos ônibus. Uma cidade com dois milhões de habitantes não pode ter apenas 1.500 ônibus para atender a população. Cria-se diversos gargalos e obriga-se o trabalhador e o estudante a sair de casa mais cedo ou, na pior das hipóteses, viajar imprensado ou, como na foto, por fora do ônibus. Ah, os empresários reclamarão que não tem dinheiro para comprar mais ônibus e nem para contratar pessoal. Pede para sair e dê vez a quem quer. Tenho certeza que existem empresas, ou cooperativas, que aceitariam o desafio. Vivem reclamando, mas não largam o osso, né?
 
2 - Ampliação do horário de circulação dos ônibus. Ora, Manaus tem um setor comercial forte, com atividade noturna e diversificada e, justamente por isso mesmo, já deveria ter um horário de circulação de ônibus em horários maiores que o de 5h às 0h. Ampliar o horário para 2h já melhoraria muito a vida de muitos trabalhadores que tem que sair correndo e preocupados em não perder o último ônibus. Sem contar quem com frota maior e horário distendido, geraria mais empregos para os rodoviários.
 
3 - Controle e gerenciamento da frota através de GPS. Lembro que quando Amazonino assumiu há quatro anos, aumentou a tarifa dizendo que uma parte dela (R$ 0,05 de cada passagem, salvo engano) seria destinado a implantação do Gerenciamento Integrado do Sistema (GIS) que mostraria onde os ônibus estariam, a que velocidade e quanto tempo demoraria para chegar em cada parada. O mandato acabou, os empresários receberam os recursos e nada fizeram.
 
4 - Dar mais espaço para as cooperativas de transportes. Vejo há oito anos a briga das cooperativas para receberem mais espaço dentro do sistema de transporte coletivo. Fazem um bom serviço e precisaria regulamentar melhor, obviamente, mas seria uma concorrência para as outras empresas que operam e as forçaria a oferecer um serviço melhor. Como Amazonino não teve apoio delas durante a campanha, tratou de dificultar ao máximo a operação das mesmas, desconsiderando o usuário e apenando-o.
 
5 - Criar mais linhas transversais. Hoje temos poucas linhas que cruzam Manaus. A maioria das linhas vai do bairro até o centro e volta. Com um número maior de linhas cruzando a cidade, facilitaria o transporte das pessoas, reduziria a necessidade dos terminais de integração (O T1 e o T2 devem ser extintos até o final do ano).
 
6 - Ampliar o horário da integração temporal, com o objetivo também de reduzir a necessidade dos terminais de integração.
 
São poucas medidas e que podem ser implementadas sem grande esforço, em pouco tempo e até mesmo com poucos recursos. Esta é minha contribuição e serve pelo menos para ser discutida.
 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Água para todos: do Careiro para o Brasil!

O programa Água para todos, lançado há quatro pelo então prefeito Joel Lobo, no Careiro, ganhou proporções nacionais e agora será lançado no Amazonas.

Eis aí o anúncio enviado pela Agecom


Governo do Amazonas inicia ações do Programa Água para Todos no Amazonas

As atividades do projeto serão executadas pela SDS de forma transversal, em parceria com vários órgãos públicos estaduais e o apoio de instituições federais

No Ano Internacional para a Cooperação pela Água, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Governo do Amazonas inicia o trabalho que viabilizará água potável a 10,1 mil famílias do interior do Estado. A ação faz parte do Programa Água para Todos no Amazonas, aprovado junto ao Ministério da Integração Nacional (MIN), a partir de uma iniciativa da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS). O convênio foi assinado pelo governador Omar Aziz no valor de R$ 44 milhões em parceria, sendo R$ 4 milhões, contrapartida do Estado.

O programa segue a diretriz do Decreto 7.535, de 26 de junho de 2011, que institui o Plano Brasil Sem Miséria, e tem por objetivo promover o acesso à água a famílias rurais do Amazonas que vivem em áreas sujeitas ao isolamento durante o período da seca, além de realizar a busca ativa de famílias que vivem com renda per capita mensal de até R$ 140, visando sua inclusão em serviços púbicos.

A partir da segunda quinzena de janeiro de 2013, as equipes técnicas formadas por 146 profissionais contratados nos municípios entram em campo para a implantação dos Comitês Municipais, Comissões Comunitárias e cadastro dos beneficiados nos 16 municípios que serão contemplados pelo Programa.

Composto por moradores da região, os Comitês são responsáveis em indicar as áreas onde estão localizadas as comunidades a serem atendidas. Já as Comissões, terão por função indicar a família da comunidade a ser beneficiada. Ao todo, serão alcançadas 50,5 mil pessoas de 404 comunidades. “O projeto é mais uma solução sustentável que o Governo Omar Aziz viabiliza para as populações do interior, levando água potável como via de inclusão social”, ressalta a titular da SDS, Nádia Ferreira.

Área de abrangência O projeto será executado nas calhas dos rios Purus, Solimões, Negro e Amazonas, abrangendo os municípios de Beruri, Boca do Acre, Tapauá, Canutama, Lábrea, Pauini, Anamã, Anori, Caapiranga, Manacapuru, Manaquiri, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, Careiro e Itacoatiara, com a instalação de 10,1 mil sistemas de captação domiciliar e 404 sistemas de captação coletiva, além da substituição de 2.020 coberturas de palha por alumínio. A previsão para execução corresponde ao período de 2013 e 2014.

As atividades do projeto serão executadas pela SDS de forma transversal, em parceria com a Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico e Social (AADES), Secretaria do Estado de Assistência Social (Seas), Secretaria de Estado da Saúde (Susam), Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), Secretaria de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (SEMGRH) e Centro De Referencia de Assistência Social (CRAS) das Prefeituras beneficiadas. O programa conta também com o apoio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Fundação Nacional do Índio (Funai), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).

Água potável – A qualidade da água é um dos focos de atenção do Programa, conforme explica Luiz Andrade, coordenador. “Ressaltamos a necessidade das comunidades em ter água de qualidade. Em nosso Estado temos a maior bacia de água doce do planeta, entretanto, nem sempre significa ter água potável. As pessoas que moram nas margens dos rios e lagos sabem que em determinadas épocas do ano a água fica imprópria para o consumo humano. Esse programa visa, acima de tudo, levar água potável para as famílias do interior porque tem como foco a área rural", disse.

Ano Internacional para a Cooperação pela Água A Assembleia Geral da ONU escolheu 2013 como o Ano Internacional para a Cooperação pela Água com o objetivo de promover uma maior interação entre nações e debater os desafios do manejo da água. Segundo a ONU-Água, existe um aumento da demanda pelo acesso, alocação e serviços relacionados a esse bem natural. O ano vai destacar iniciativas de sucesso sobre cooperação pela água.


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O outro lado do carnaval de Manaus

Enquanto o governo do estado anuncia um repasse de R$ 4,6 milhões para o carnaval amazonense , tem um outro lado do carnaval que muitos nem imaginam. Quando o governo faz esse repasse, supõe-se que gera-se emprego e renda e imagino que o governador Omar Aziz pense que é isso mesmo que acontece. Mas não é bem assim. Alguns fornecedores de materiais usado nas confeções das fantasias das escolas de samba que estão sem receber já há algum tempo, quatro anos por exemplo, embora todos os anos as escolas recebem repase do governo e da prefeitura, bem como arrecadam dinheiro nas festas em suas quadras.
Em uma rápida consulta no site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pude indentificar algumas das escolas que estão com títulos sendo protestados por fornecedores. A escola Balaku Blaku, por exemplo, tem um título sendo protestado no valor de R$ 168.460,06. A Mocidade Independente Coroado tem uma dívida de R$ 28.266,21. A Gremio Recreativo e Cultural Escola de Samba Grande Familia tem dívidas de até R$ 208.000 mil. A Mocidade Independente de Aparecida tem dívidas que ultrapassam cem mil reais.
Somados esses R$ 4,6 milhões, nos últimos cinco anos o governo já repassou R$ 15 milhões ao carnaval amazonense. Esse ano a Associação do Grupo Especial das Escolas de Samba de Manaus (Ageesma) ficou inabilitada para receber as verbas pois teve as contas de 2006 reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A forma encontrada foi o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (SEC), assinar, neste dia 2 de janeiro, um convênio com a Liga das Escolas de Samba do 1º e 2º Grupo e Blocos Carnavalescos de Manaus (LESBCEM) para o pagamento das despesas das 26 agremiações que irão desfilar no Sambódromo entre os dias 7 e 9 de fevereiro, totalizando neste montante inicial R$ 3,2 milhões.
Surpreso com esas informações? Espere então até você saber que, como as escolas de samba estão devendo os fornecedores locais, e quem poderia vender se nega a receber uma carta de crédito sem crédito, as escolas estão indo buscar fornecedores fora do estado, levando divisas para fora do Amazonas. Ou seja, não estão gerando renda para as empresas locais fornecedoras, e sim gerando dívidas, pois algumas delas, para sanar suas dívidas com fornecedores e os empregados, recorreram a empréstimos para não fecharem as portas.
Mas não fica apenas no carnaval. Nos festivais folclóricos, incluindo o de Parintins, é a mesma coisa. Mas isso é coisa para um outro texto!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

De tanto fazer, viramos piada!

Nos últimos anos tenho ouvido com mais frequência a piada de que o nosso estado vizinho Acre não existe, que as coisas por lá demoram a chegar e essas coisas que, no fundo, são eivadas de odioso preconceito. Nós, aqui do Amazonas, sempre nos vangloriamos de sermos mais "desenvolvidos" que os demais estados da região. E a pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) apontando Manaus em último lugar em desenvolvimento caiu como uma bomba, esmagando nossos egos.
 
Mas logo Manaus, que tem a sexta maior economia do país, que sempre foi vanguarda em muitas coisas, como ter sido a primeira cidade a ter iluminação pública, cabo intercontinental ligando`se à bola de Londres para saber a cotação da borracha, a cidade que primeiro aboliu a aescravidão, quatro anos antes de a princesa Isabel assinar a Lei Áurea, onde primeiro teve greve no país.
 
Está certo que a pesquisa feita engloba apenas os anos de 2009 e 2010 e não reflete a nossa realidade atual. O índice estudado pela Firjan analisa emprego e renda (estoque e salários médios dos empregos formais, geração de vagas), educação (taxa de matrícula infantil, abandono, distorção idade-série, entre outros) e saúde (óbitos por causa mal definidas, número de consultas pré-natal,  e óbitos infantis evitáveis). E a reportagem dedica apenas uma mísera linha sobre nossa querida cidade: Manaus ficou em último lugar.
 
Particularmente eu penso que, como vivemos em uma eterna digressão, uma involução onde só o que evolui são os patrimônios de nossos dirigentes, Manaus poderia até estar em uma posição pior se tivesse fosse possível. Ora, sempre fizemos piada do Acre, que não existe, mas Rio Branco ficou quatro posições à frente de Manaus.
 
Me ocorre que quando anunciaram Manaus como uma das sedes da Copa de 2014, em 2009, autoridades fizeram festa (depois de terem feito uma campanha milionária para incluir a cidade como tal), milhares de promessas foram feitas, como se aquilo fosse a salvação da lavoura. A população passou a sonhar acordada em seus ônibus lotados com monotrilhos e BRTs, os craques dos times locais (incluindo os pernas de pau da ACLEA) terão uma arena multiuso de primeiro mundo para jogar o pálido campeonato amazonense e tantas evoluções que nem sei por onde começar a enumerar.

Manaus foi escolhida como cidade sede por representar a Copa Ecológica tendo em vista os índices de desmatamento do Amazonas ser um dos mais baixos. Bem, três anos depois o Amazonas aparece como um dos que mais desmata. Ficando atrás de nosso vizinho famoso por desmatar, o Pará.

Mas isso aqui não se trata de uma briguinha como se nossas cidades estivessem disputando o Campeonato Brasileiro. Por falar nisso, neste quesito também estamos atrás de nossos vizinhos. Lembro que há dois anos, o governador Omar Aziz disse com todas as letras que queria que o Amazonas tivesse um clube na série A do Campeonato Brasileiro. Bem, estamos na Série D por falta de não existir uma série E. E isso não é exagero.

Bem, chegamos a um ao e meio da realização da Copa e na Fifa acendeu o alerta de que Manaus pode ficar de fora por que não há confiança da entidade na gestão do governador. Fizeram uma campanha eleitoral para a prefeitura baseando uma boa parte dela na construção do monotrilho e no BRT e, dias depois do fim da eleição, o eleito Arthur Neto, após reunião com o governador, ambos anunciaram que não ficariam prontos para a Copa.

Sou da opinião de que não deve pautar as ações de uma gestão em função de um evento de grande porte, mas sim deve-se estabelecer critérios para as prioridades da população e não fazer as coisas para cumprir exigências de uma entidade. A prioridade de um governante deve ser o seu povo. E quando falo povo, no sentido lato, não apenas nos que votaram nele.

Mas enfim, vivemos pelo menos nos últimos 30 anos vivendo e ouvindo promessas não cumpridas ou, que saem a preço astronômico, do tamanho da megalomania tacanha de quem faz uma obra que, em breve, deverá ser ampliada pois foi projetada para durar apenas uma ou duas eleições. O fato é que, de tanto fazermos piada do vizinho Acre, acabamos virando piada.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Voto útil é a tua vontade!

Nesses momentos finais do primeiro turno dessas eleições para prefeito, tenho me dedicado mais a fazer o corpo-a-corpo para os candidatos que escolhi e ultimamente tenho visto muita gente falando de voto útil. E quero expressar minha opinião sobre isso. Cresci vendo a importância da política em nossas vidas, de como ela influencia nas coisas mais banais e sequer nos damos conta.
Andei pela cidade e vi o quanto as pessoas estão mais desacreditadas ainda da política por que percebem nos candidatos, sobretudo aos candidatos a vereador, que só querem o voto de pois vão cair no mundo, desaparecer e não darão mais retorno. Vi e ouvi pessoas dizendo que não votam mais nesse e naquele porque nada fizeram. E tenho ouvido muito que tem que votar em tal candidato porque ele tem mais chances de ganhar, porque assim tu tornas o teu voto útil. Gente, que pensamento mas medonho!
Quer dizer que a tua opinião, os requisitos que tu estabeleces para escolher um candidato não valem de nada porque o teu candidato não está bem nas pesquisas (que sempre se mostram falhas em relação ao resultado das urnas) e porque ele não tem chance de vencer?
Ontem eu li este post da Carolina Coelho Varella e consolidou minha opinião de que este discurso é uma forma descarada de manter o status quo, de perpetuar grupos que tem interesses obscuros e escusos, alheios à melhoria da sociedade e que apenas se locupletam. O Amazonas está atrasado pelo menos 30 anos e não é por causa de outra coisa senão a má gestão de seus recursos naturais.
Ora, se o direito ao voto é um exercício de cidadania, onde a vontade de cada um tem que ser respeitada, porque então essa impostura de pensamento? Por que eu escolher um candidato tem que ser feito com base em critério nenhum a não ser o do voto útil? Ora, vemos a máquina dos governantes operando de forma avassaladora nas campanhas eleitorais e temos que nos calar?
Eu fiz minha escolha de candidatos analisando o histórico deles, da certeza de que seria bem representado e veria meus ideiais e ideias sendo respeitados e defendidos. E tudo o que eu quero é poder andar nas ruas tranquilamente, sem os sobressaltos que hoje vivemos por conta dos altos índices de criminalidade, de ter um atendimento de saúde e educação dignos, de poder olhar para a frente e vislumbrar um futuro melhor não apenas para mim, mas para as próximas gerações. E sinceramente não vejo isso com os governos que atualmente estão no poder.
Temos eleições em dois turnos e vários candidatos se apresentam. Este ao temos nove candidatos. Analise a história de cada um e faça a sua escolha. Você pode até ter sua decisão questionada, mas ela é sua e somente sua! E há de ser respeitada!
Respeito a opinião de todos e sinceramente eu gostaria que respeitassem a minha. Tenho ouvido até de pessoas ditas esclarecidas que porque o meu candidato não está bem nas pesquisa, eu deveria mudar de voto e vovtar em quem tem mais chances de chegar no segundo turno. Meus amigos, não me façam rir! Em um momento em que eu posso fazer uma avaliação criteriosa, vai prevalecer a minha vontade. Depois, em um segundo momento, caso o meu candidato não passe para o segundo turno, aí vou levar em consideração as outras alternativas. Mas no primeiro momento, vai valer sim a minha escolha.
Voto útil é a forma que quem está no poder encontrou para iludir o eleitor para se perpetuar no poder. Aquele que pode abusar do poder econômico que nada acontece, que pode sair por aí comprando voto, massificando mentiras e as repetindo como se isso tornasse a mentira uma verdade, usa o discurso do voto útil já desde que o mundo é mundo. Uma mentira repetida mil vezes, se você não acreditar, é só uma mentira repetida mil vezes!
Eu escohi votar no Pauderney Avelino para prefeito e até dei minha contribuição no programa de governo dele por que tem um passado de luta em defesa dos interesses do Amazonas e tem a proposta de pensar Manaus para as próximas gerações e não para as próximas eleições.
Escolhi votar no Rodrigo Araújo porque tem o mesmo espírito de luta que eu: pelo bem comum, de querer o melhor para a nossa cidade e por ter o compromisso com a seriedade e a ética, de colocar o coração em nessa causa!
Faça valer a sua vontade!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A mão invisível do poder no Amazonas!

Eu poderia fazer comentários sobre esta tese de doutorado do professor Gilson Vieira Monteiro, mas depois refleti e pensei que é melhor você, meu caro leitor, tirar suas próprias conclusões e passar a fazer uma nova leitura sobre os veículos de comunicação e a forma com que são divulgadas as notícias.
Isso ocorre de norte a sul do Brasil e mundo afora! Mas em época de eleição se acentua. Ainda bem que hoje temos a possibilidade de, seja através das redes sociais ou de blogs, difundir as informações que não serão jamais veiculadas pelos veículos de comunicação porque cada pessoa torna-se um veículo de comunicação.
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
117
7.3 A mão invisível do Estado e a concorrência em Manaus
O economista ADAM SMITH
158 (1904), na obra clássica “An inquiry into the nature and causes of the wealth of nations
” (Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações), apresenta o conceito da “mão invisível” como o último estágio de evolução do ser humano. Na visão de SMITH, a “mão invisível” seria capaz de levar o homem a usar a ambição e o egoísmo para criar o bem-estar geral da comunidade.
Ao longo do tempo, de forma equivocada, os teóricos passaram a interpretar que a “mão invisível” de SMITH era o mercado, e que esse seria capaz de regular as relações comerciais entre as empresas, seu clientes e a própria sociedade. De acordo com essa interpretação, a “mão invisível do mercado” levaria as pessoas a regular as relações no ponto considerado o melhor possível para que participasse da transação comercial. No caso do jornalismo de Manaus, a mão invisível é do Estado (Governo e Prefeitura). E parece regular, ainda que nada seja admitido oficialmente pelas empresas e nem pelas assessorias de Comunicação, as relações comerciais e o próprio mercado publicitário.
Investigar essa relação não fazia parte do objetivo inicial deste trabalho, no entanto, ganhou importância fundamental por explicar uma certa “apatia” em relação ao Mercado da Informação, em Manaus. Essa mão invisível do Estado dita normas editoriais, dita a própria concorrência entre os jornais e, possivelmente, é responsável pela letargia das empresas de mídia tradicional no Mercado da Informação.
O “atrelamento” dos jornais de Manaus ao poder foi revelado pelo presidente do Sindicato das Empresas de Jornais (SINEJA), empresário GUILHERME ALUÍZIO DE OLIVEIRA SILVA
159(2002), que também é Diretor-presidente do Jornal do Commercio, ao relatar uma fase da história do seu jornal. Ele disse que, em 1987, o Jornal do Commercio brigava pela liderança em vendas como Jornal A Crítica. Naquele ano, foram impostas sanções ao jornal e às empresas da família. Diante disso, SILVA preferiu mudar o foco da empresa jornalística: “Então, eu prefiro hoje fazer esse jornalismo segmentado, projetando principalmente a economia do meu Estado, a estar envolvido nisso. É muito alto o preço. É muito alto o preço”. Ele foi taxativo ao concluir: “Eu duvido muito que um jornal que não negocia a sua verdade, sobreviva
”(Grifo nosso).
158
SMITH, Adam. An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. London: Methuen and Co., Ltd.,
ed. Edwin Cannan, 1904. [Online]. Disponível no endereço
eletrônico:<
http://www.econlib.org/library/Smith/smWN1.html>. Acesso: 9, Novembro, 2002; Internet.
159
SILVA, G. A . de O . Guilherme Aluízio de Oliveira Silva: depoimento: [fev. 2002]. Entrevistador: Gilson Vieira
Monteiro. Manaus: USP, 2002. Meia fita cassete (30min), 3 ¾ pps, estéreo. Entrevista concedida ao projeto “Por um
clique...”.
MONTEIRO, Gilson.
 
A afirmação de SILVA é corroborada pelos números revelados pelo Chefe da Agência de Comunicação do Governo do Amazonas (Agecom), jornalista JOSÉ CLÁUDIO MARTINS BARBOZA 160 (2002): “Do orçamento de R$ 30 milhões, de 2001, mais de 60% (sessenta por cento) foram destinados ao pagamento das empresas de mídia, aí incluídas as de out-doors, sendo que a televisão ficou com a maior fatia das verbas”.
A secretária municipal de Comunicação Social, jornalista MÔNICA ELIZABETH SANTAELLA DA FONSECA 161(2002), revela, também, números esclarecedores. “Nosso orçamento do ano passado foi de R$ 4 milhões. Desses, 89% (oitenta e nove por cento) foram destinados ao pagamento das empresas de comunicação”. Números como esses talvez reforcem a afirmação do presidente do SINEJA de que seria impossível uma empresa jornalística sobreviver em Manaus sem o apoio do poder estatal.
BARBOZA explicou que o orçamento de 2001 foi excepcional em função de ser um ano eleitoral. Ele detalhou como o Estado procede para ter um orçamento maior em ano eleitoral:
“Por que é excepcional? Eu vou te explicar porque que é excepcional R$ 30
milhões. Porque se o Orçamento de 2001 não fosse R$ 30 milhões, o
Orçamento de 2002 não chegaria nem a R$ 5 milhões. Porque para você fazer
o orçamento de 2002 quando há eleições, tem que ser a média do último ano.
A legislação não permite, por exemplo, que você coloque um Orçamento que
seja, por exemplo, R$ 30 milhões, agora para 2002”.
Ele revelou que esse é um artifício para aumentar a média de gastos com propaganda em anos anteriores às eleições. Com isso, o Estado faz um arranjo para adequar-se à legislação eleitoral. Além de confirmar que se trata de um artifício, BARBOZA diz o quanto, do orçamento, é gasto com a mídia (ver Anexo de 5162):
“Exatamente, um artifício para aumentar a média, o que seria hoje por volta
de 9 a 10 milhões. Essa é a verba, vamos dizer, real de mídia do Governo, 10
milhões ao ano, 30 milhões foi excepcionalidade. Agora é dentro daquilo que o
Jefferson te falou, 60, 62, 68% dessa verba se destina aos veículos de mídia,
com a televisão levando um percentual maior, isso a gente percebe. É uma
160
BARBOZA, J. C. M. José Cláudio Martins Barbosa. depoimento: [ago. 2002]. Entrevistador: Gilson Vieira Monteiro.
Manaus: USP, 2002. Meia fita cassete (30min), 3 ¾ pps, estéreo. Entrevista concedida ao projeto “Por um clique...”.
161
FONSECA, M. E. S. da. Mônica Elizabeth Santaella da Fonseca: depoimento: [ago. 2002]. Entrevistador: Gilson
Vieira Monteiro. Manaus: USP, 2002. Meia fita cassete (30min), 3 ¾ pps, estéreo. Entrevista concedida ao projeto
“Por um clique...”.
162
O Anexo 5 apresenta uma “fotografia” detalhada dos gastos do Governo do Estado do Amazonas com a mídia, em 2001.
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
119
coisa que alterou nos últimos anos. A mídia impressa tinha uma maior fatia
desse bolo. A gente percebe que nos últimos anos houve uma alteração”.
BARBOZA assegura que o comportamento do mercado editorial, em Manaus, tem forte influência da mão do Estado. Ele admite até certa influência na linha editorial dos jornais:
“Eu diria que há negociações, que não são de hoje. Eu estou te falando
isso como jornalista que já esteve dentro das redações aí, em alguns
veículos locais, e que também já atua há algum tempo nessa área de
assessoria governamental. Eu diria que há negociações onde a linha
editorial, eu não te diria assim, vai tornar a linha editorial favorável ao
Governo, vamos supor, mas onde você possa colocar o teu material
favorável. Deixa-me ver se consigo me fazer entender. Quer dizer, eu
anuncio no jornal X, por exemplo, então, quer dizer, esse jornal X vai, tem
a linha dele, lá e tudo, mas ele vai priorizar, dar uma prioridade para
aquele material que eu produzi. Quer dizer, a minha produção vai ter
acesso, ele vai garantir acesso a esse material”.
A secretária municipal de Comunicação Social, jornalista MÔNICA SANTAELLA
ELIZABETH DA FONSECA, revela uma opinião semelhante à de BARBOZA, quando se refere ao relacionamento da empresa jornalística com o poder público e as influências desse poder na linha editorial do jornal. Para ela, vigora uma espécie de “acordo branco”:
“Eu acho que acaba sendo um acordo. É aquela coisa assim: se você não
paga, se você está devendo o jornal, ele acaba dificultando o espaço para a
tua matéria. Ele não vai dizer oficialmente: olha, eu não vou publicar porque
vocês não estão me pagando. Mas você começa a ver que eles já não dão tanta
prioridade para a tua matéria. Tua matéria sai meio que em segundo plano. A
gente observa isso no dia-a-dia”.
Para ela, quanto mais tempo se demora a pagar as empresas, mais tempo as matérias da
secretaria vão ficando para trás. Chegam até a não serem publicadas se a demora for longa:
“Isso. Se demorar a pagar vai ficando. É. Até não sair. Só que isso não é uma coisa que a gente pode chamar de oficial. Isso é uma coisa que a gente nota no dia-a-dia. É muito engraçado, quando a gente sai com uma matéria como manchete os próprios repórteres dizem assim:´pagaram o jornal?´ (Um sorriso, quase uma gargalhada).
Não é uma coisa que as pessoas fazem mesmo assim: pagaram. Porque a impressão que dá é essa. Mas eu acho que isso funciona não só com o poder público. Eu acho assim, eu já trabalhei em jornal, e quando a gente tem assim, uma matéria que vai ofender ou vai afetar algum anunciante de potencial do jornal, a gente sempre diz que o
Departamento Comercial acaba mandando na redação”.
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
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BARBOZA diz que a relação das empresas jornalísticas com o poder público, em  Manaus, é uma “relação de amor e ódio”: “é uma relação que eu diria, de amor e ódio entre as duas partes, porque isso não é cumprido, isso não é escrito, então, não é cumprido ao pé-da-letra”.
Ele admite que esse tipo de prática abre espaços para empresas inescrupulosas “forçarem a mão” na linha editorial a fim de puxar verbas do Estado ou até mesmo de outras empresas anunciantes. A isso, ele denominou de “prática chateaubriana”. Mas faz questão de explicar: “E eu te diria que é o seguinte, que isso não é um “privilégio”, entre aspas, do Amazonas. Acho, acho, não, tenho certeza que há isso em outros locais, de outras maneiras, em outros níveis”.
E explica mais:
“E por que é que eu te digo que isso ocorre de outras formas? Porque você
mesmo estando aqui, você recebe propostas de veículos instalados em São
Paulo, ou no Rio de Janeiro. Grandes redes. Te propondo, você anuncia ou faz
essa campanha e eu, em troca, vou te dar isso. Entendeu, quer dizer, então, é
uma questão nacional”.
Segundo BARBOZA, essa questão se deve ao fato de a atividade jornalística ser muito
complexa, pois a empresa jornalística, além dos seus leitores, tem como clientes o comércio, a indústria e os serviços. Paralelo a isso, lida com o poder público. Logo, é obrigada a se equilibrar entre quatro pólos distintos, afora o público leitor:
“Quatro pólos. Então, você imagina concentrar tudo isso numa empresa e ter
que administrar isso. Ora, no Brasil, as empresas de Comunicação, por uma
série de razões, aí acho que tem muito a ver com essa questão de família,
empresas que não se profissionalizam, empresas que não crescem no mercado.
Quer dizer, as empresas são comercialmente frágeis e dependentes do poder
público. Isso é uma coisa que não acontece na economia norte-americana
quando as empresas de Comunicação são fortes, são poderosas. Então, aqui
elas ficam muito à mercê do poder público”.
Ele faz uma análise do comportamento do mercado em Manaus e considera que as
empresas jornalísticas da cidade não têm interesse em aumentar as vendas avulsas, com isso tornam corriqueira a dependência do poder público:
“Você vê a diferença. Aí você pega aqui do nosso caso, no caso do Amazonas.
Vou pegar o Amazonas, uma capital que é uma cidade-estado. Em Manaus hoje
vamos trabalhar, tranqüilamente eu posso te falar que Manaus hoje caminha para
2 milhões de habitantes, pode trabalhar com esse universo sem receio, 1,8 milhão,
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
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caminhando para 2 milhões. Aí você pega jornais, você tem quatro jornais
diários. Esses jornais não conseguem vender, juntos, 50 mil exemplares. É uma
venda muito pequena. Eu sempre faço um cálculo, eu digo, olha, vamos supor,
trabalhar com um universo de 2 milhões de habitantes, tira 1,5 mil, sobram 500
mil. Mas 500 mil é muita gente, você tira 300, sobram 200 mil. Duzentos mil
ainda é muita gente, né, tira 100 mil, ficam 100 mil. Tira 50 mil, ficam 50 mil. Não
consegue se vender 50 mil exemplares. Por que não se consegue vender? Aí essas
questões é que eu acho que as empresas não trabalham isso, não há interesse”.
A se levar em a conta a análise do Chefe da Agecom, Manaus, ainda que se tire,
hipoteticamente, dos 2 milhões de habitantes, 90% de pessoas que não tenham condições de ler um jornal, sobrariam 200 mil leitores em potencial. A questão é saber o porque de os jornais não atingiram esse número de leitores. BARBOZA tem uma explicação para o fato:
“Eu diria que os jornais de Manaus são altamente pretensiosos. Eles não são
jornais nem municipais e querem ser jornais internacionais. Então, não têm
vínculo nenhum com isso aqui. Quer dizer, você um jornal, se você quer uma,
se você é empresário, executivo, se você tem aplicações no mercado
financeiro, aonde é que você vai procurar? Hoje, com a Internet, você tem
acesso imediato. Ou então, se você quiser manusear esse tipo de informação
você vai na Gazeta Mercantil. Portanto, aos jornais locais, não cabe muito
fazer, vamos dizer, uma pseudo-economia, que é o que se faz. Não se tem. Aí o
cara faz assim: dá manchete internacional. Às vezes, eu acho, que Gilson, aí é
uma crítica a nós mesmos, jornalistas, às vezes o jornalista faz jornal para si e
não pensando no leitor”.
Em pesquisa realizada para o mestrado, MONTEIRO 163(1998) encontrou alguns
indicadores que reforçam a idéia de que os jornais, principalmente de Manaus, são pretensiosos. São empresas que não possuem foco, consideram-se capazes de atingir às classes, A, B, C, D e E. Não têm posicionamento. E, hoje em dia, com a Internet, sem posicionamento, não se vende jornal nem se cria vínculo com o leitor.
O chefe da Agecom argumenta:
“Não cria vínculo, eu vou comprar para quê? Qual a relação que esse
jornal tem, qual a empatia. Eu, por exemplo, profissional da área, eu
tenho que ter jornais, porque eu vivo disso. Mas, por exemplo, a minha
família passa perfeitamente bem, não tem nenhum trauma, se não tiver
nenhum jornal lá em casa. As meninas e a minha mulher vão para o
163
MONTEIRO, Gilson. O jornal de domingo no mercado brasileiro de jornais: um estudo exploratório das
estratégias genéricas de marketing utilizadas por empresas da indústria jornalística brasileira. 1998. 234 p.
Dissertação (Mestrado em Administração):Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade
de São Paulo, 1998.
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
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computado. Agora eu, como sou profissional, compro, o que é terrível
constatar isso assim tão próximo da gente”.
Ao que tudo indica, o fato de as verbas públicas praticamente determinarem o faturamento das empresas jornalísticas de Manaus faz com que a visão de marketing, o
posicionamento, a concorrência propriamente dita não exista. A secretária municipal de
Comunicação Social, MÔNICA FONSECA, acredita que, de certo modo, o poder público sustenta os jornais, as rádios e as TVs em Manaus. Além do mais, a Semcom, por exemplo, acaba investindo no jornal ou em qualquer dos veículos que tiver mais ouvintes, mais leitores.
Isso, no entanto, não deixa os veículos acomodados na “luta” por verbas públicas. Na visão da secretária, “eles” sempre querem mais:
“É. Claro que eles sempre querem mais, independente do tamanho da fatia do
bolo que eles têm eles sempre querem mais. Natural, isso é uma coisa do
mercado. Mas você acaba investindo nos maiores, nos maiores em termos de
circulação mesmo. De circulação ou de audiência. É inegável que comercial
veiculado no Jornal Nacional vai ser visto por muito mais gente do que um
comercial que eu passe de manhã na TV Rio Negro, entendeu. Não tem como.
O dono da TV Rio Negro sabe disso. Mas só que normalmente o poder público
como tem a questão justamente de ser público, é difícil ele excluir algum
veículo do seu bolo”.
FONSECA revela que essa exclusão só ocorre por pressões políticas. De forma mais
clara: se um dos veículos passa a atacar o prefeito, no caso, a ordem é fechar as torneiras das verbas públicas municipais para aquele veículo. O corte, porém, não é definitivo: “corta, por um tempo, depois volta, ou a gente demora a pagar. Prioriza os que são parceiros. Mas, normalmente, os maiores veículos de comunicação não criam problemas políticos”.
Os problemas criados por veículos de comunicação menores decorrem do fato de, na
maioria das vezes, na visão da secretária, eles se abrigarem sob a sombra de um político ou de outro. Com isso, uma hora defendem a linha de pensamento que converge com a da administração municipal, outra hora não defendem. O fluxo das entradas ou não de verbas municipais no faturamento dessas empresas depende dessa oscilação. Essa prática, que o chefe da Agecom denominou de chateaubriana, parece se repetir de Norte a Sul do País. Parece ter se enraizado no jornalismo brasileiro e, talvez, haja perigo de se transferir para os negócios no Mercado da Comunicação. Para FONSECA, essa é uma questão cultural:
“Porque eu acho que a questão é cultural e a gente vê que a prática aqui é
maior, mas que ela existe também em outras escalas, pra lá. Ninguém vai
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
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contra, na Globo, a uma determinação do Roberto Marinho! Ele é o dono da
empresa, entendeu! Então, o que ele decidir é lei: eu quero eleger esse cara
presidente, eu quero destruir aquele ali. Eles vão fazer isso”.
No caso do mercado tradicional de Manaus, ficou evidente que há um arranjo comercial,
um acordo, para a divisão do “bolo” da verba oficial. Um exame do Relatório das verbas
consolidadas da Agecom (ver Anexo 5) é esclarecedor. Dos R$ 30 milhões, a Televisão leva 35,9065%, os jornais ficam com 14,9421%, as rádios com 3,6831%, as empresas de out-door, com 2,8653%, a mídia itinerante com 0,6917% e as revistas com 2,7352%, o que dá um total de 60,8240% dos 30 milhões só para a mídia. Visto de outra forma, significa que, no período de abril de 2001 a junho de 2002, dos R$ 30 milhões, a mídia levou exatos R$ 18.247,20 milhões.
A segunda página do Anexo 5 (ver Anexo 5) é mais reveladora, pois detalha, por
empresas, quem recebeu verbas do Estado no período. Entre os jornais locais, por exemplo, quem mais recebeu verbas foi o Amazonas em Tempo, com 4,6368% de participação no bolo dos R$ 30 milhões. Como se vê na segunda página do Anexo 5, o jornal A Crítica não aparece como participante do bolo publicitário. Informações extra-oficiais, que são reveladas a título de ilustração, pois não puderam ser comprovadas, dão conta que qualquer verba publicitária do Governo do Estado destinada ao jornal A Crítica entra na empresa através da TV A Crítica.
Os diretores do A Crítica negam que as verbas publicitárias do Governo do Estado tenham qualquer peso no faturamento do jornal. Oficialmente, ninguém no Governo do Estado fala sobre o assunto. Embora não sirva como prova, um exame no
Anexo 5 dá uma pista. A Rede Amazônica de Televisão, que retransmite a programação da Rede Globo de Televisão e é líder em audiência, recebeu 11,0904% dos R$ 30 milhões. A Rede Calderaro de Comunicação, cuja emissora, a TV a Crítica, é afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), ficou com 11,7279%. Em cifras, a Rede  Amazônica recebeu R$ 3.327.114,70 e a Rede Calderaro recebeu R$ 3.518.359,18.
Pode-se inferir que, após a divisão do bolo, quando tudo fica acertado, existe a
possibilidade de as secretarias, tanto estadual, quando municipal, interferirem na linha editorial dos jornais. No entanto, essa interferência jamais é admitida oficialmente. A própria secretária MÔNICA FONSECA
164 diz que se trata, no máximo, de “uma interferência branca”:
“É branca. É muito assim de camaradagem. Por exemplo, se a gente está com
uma relação legal com o veículo, a gente anuncia normalmente nele, paga
normalmente, paga bem, vem o repórter e quer fazer uma matéria que não vai
ser boa. Mesmo que a gente coloque o lado, vamos que a matéria seja falsa,
seja uma denúncia que não seja verdadeira, mas que mesmo que ela vá para o
jornal, a gente mostrando a verdade das coisas ela não vai ser boa, ela vai
respingar, a gente às vezes conversa. Pôxa, eu acho que isso aí não é legal,
não tem outra matéria para por no lugar? Isso acaba acontecendo. Mas não
impor. Dizer não, eu não quero que essa matéria saia. Não existe isso não.
Pelo menos aqui, sabe, o Paulo principalmente, por ter trabalhado, por ter
uma vivência muito grande em redação, o Paulo também nunca adotou essa
prática de pedir: não, espera aí, essa matéria não pode sair. Não existe isso de
pegar o telefone e ligar para o editor e censurar a matéria”.
Ela admite, no entanto, que esse tipo de prática ocorre muito mais pela postura de quem
gerencia as verbas públicas. FONSECA assegura que, dificilmente há interferência na linha editorial do jornal para “tirar” matérias que não são de interesse da prefeitura:
“Agora, o que a gente faz mais é pedir para uma boa matéria sair. Por
exemplo, a gente tem um material, o secretário de Saúde foi em Brasília
representar o prefeito, recebeu homenagem do ministro da Saúde por causa
dos projetos que têm aqui, etc. E aí, particularmente, a gente quer que aquela
matéria saia. Então, a gente tenta pôr: dá para você dar um destaquezinho,
tem uma matéria assim, que a gente acha que seja importante para a
administração, dá para dar um destaquezinho nessa matéria?”
A jornalista não considera que esse tipo de prática possa ser condenado do ponto de vista da ética profissional:
“Não é pecado porque é o papel até da assessora. Assessor qualquer,
independentemente do poder financeiro faz. Essa prática é mais comum do que você
pedir para tirar uma matéria. A gente pede só quando é um caso muito sério, uma
coisa que a gente realmente acha que vai afetar. A gente tenta responder tudo, a
não ser que a gente ache que seja uma coisa que vai mesmo, sabe, que não é legal
mesmo, que vai afetar mesmo, muito negativamente, e se a gente está tendo essa
relação legal, de parceria com o veículo, às vezes, a gente acaba fazendo, mas é
muito difícil, aqui, no nosso caso aqui, na nossa administração aqui, da Semcom,
hoje. Mas é uma prática que acontece muito sim”.
Essa relação de “camaradagem” entre o profissional que trabalha como Secretário ou Chefe de Comunicação, evidentemente, torna-se mais camarada quando o pagamento das verbas está em dia.
Ainda assim, de acordo com FONSECA, as empresas jornalísticas sempre colaboram, muito embora não deixe de admitir o poder financeiro como fator preponderante nessa relação:
“Eu acho que a gente não tem como: é óbvio que o poder financeiro manda.
Eu acho que você segura as coisas na camaradagem até um limite. Eu acho assim, a gente tem uma relação muito boa, até com dono de jornal se conversa, se pede para os caras segurarem. Quando a gente ficou aqui um tempão sem licitação a gente não tinha como fazer nada. Legalmente a gente não podia pagar ninguém. Só que aconteceu um caso, a primeira fase da vacinação, a gente não fez publicidade, porque não tinha como fazer, e pela primeira vez a prefeitura não conseguiu atingir a meta a que ela tinha se
proposto. E recebeu críticas da SUSAM 165, recebeu críticas do Ministério da
Saúde. Só acabou atingindo a meta porque eles ficaram mais 15 dias
vacinando com os médicos da família de casa em casa. Mas, não conseguiu
atingir. E foi a primeira vez que isso aconteceu depois de muitos anos. Por
quê? Porque não teve uma propaganda. Porque queira ou não queira, a
propaganda, no caso da vacinação, faz o cara lembrar: pô eu tenho que levar
o meu filho para vacinar. É sábado, eu tenho que levar o meu filho para
vacinar. Vai ter sábado de novo, hoje o comercial estará na televisão e na
rádio para lembrar o pessoal”.
A secretária diz que quando precisa, as empresas sempre colaboram. No entanto, fez questão de frisar que se trata de uma relação de camaradagem muito maior que a relação financeira:
“Quando precisa sim. Até eventos culturais, a Fundação Villa-Lobos muitas
vezes tem pedido e eles têm colocado só por conta de apoio. Então, é aquilo
que eu estou falando, você tem uma relação de camaradagem, independente da
financeira. Mas é lógico que uma hora a financeira aperta e você tem que... é
a sobrevivência deles”.
Nos períodos em que as verbas públicas minguam, os assessores de Comunicação
enfrentam dificuldades: “Quando a gente está sem, aí fecham as portas”. As negociações, então, passam a ser feitas empresa por empresa:
“É. Acaba tendo que ter negociações individuais e de acordo com o que a
gente está passando. A gente teve muitas dificuldades. Eu fico assim .... .Outro
dia o prefeito foi fazer uma coletiva e não foi quase ninguém. Também, era
num sábado de manhã e a gente avisou em cima da hora. Aí o prefeito falou:
Pôxa, não estão mais nem vindo às nossas coletivas. E ele creditou isso às
questões políticas. E eu cheguei para ele e disse que a questão não era só
política. Também tem esse lado. Eu não posso chegar e ligar para um dono de
jornal e dizer: você não vai me mandar um repórter para a coletiva? Eu não
posso cobrar o cara. Agora, se eu estou em dia com a empresa eu posso dizer,
puxa, vai ser importante essa coletiva. Manda alguém. Não deixe de mandar
ninguém. Eu vou pedir. Agora, quando eu não estou em dia, eu não posso
cobrar. E no final eles acabaram publicando o material que a nossa assessoria
mandou. Eles publicaram o material. Eu achei até legal essa parte. Ele até
acabou assim voltando atrás no que ele tinha falado”.
A Diretora responsável pelo jornal Amazonas em Tempo, HERMENGARDA
JUNQUEIRA 167(2002), não considera esse tipo de prática aceitável em jornalismo. Ela recorre ao exemplo do Japão para ilustrar suas conclusões. O mais curioso é que, em meio às críticas, JUNQUEIRA revela a forma como os jornais cobram as matérias publicadas em Manaus e diz que o Governo do Estado libera verbas para os jornais:
“Lá. Que nenhum deles recebe um centavo para divulgar o Governo. É
proibido. O Governo é uma instituição. O Governo e a Monarquia
Parlamentarista, a casa, a realeza. Eles não podem receber dinheiro do
Governo. Eles não podem. Não faz parte da cultura deles receber dinheiro
para divulgar como a gente faz aqui. O Governo do Estado, o Amazonino (Governador do Estado do Amazonas, Amazonino Mendes)  libera não sei quanto por mês pra mim, não sei quanto para a A Crítica não sei quanto ta ta ta e a gente divulga e ainda manda cobrar. Recorta e manda cobrar. Deus nos livre. Isso não existe lá”.
De acordo com HERMENGARDA JUNQUEIRA, a concorrência, em Manaus, quando se trata da venda de jornais em bancas, é ditada por métodos nada convencionais. Ela revelou que existe um “estilo” bem definido de tentar neutralizar os concorrentes. JUNQUEIRA explica o que percebeu quando o jornal Amazonas em Tempo foi lançado:
“Aí percebemos como era o estilo. O estilo era o seguinte: nas bancas, o
jornal chegava e muitas vezes nós fomos surpreendidos pela seguinte situação:
é o dono da banca ficava com poucos exemplares do Amazonas em Tempo,
devolvia no dia seguinte e no momento, ele dizia que o jornal tinha pegado
chuva, tinha...escondia o jornal. Em outras ocasiões, o próprio vendedor de
jornal se encarregava de afugentar os nossos vendedores. Houve casos de
registros policiais, inclusive”.
O que talvez devesse ser ditado por regras de competição em uma concorrência leal,
descambou para o campo dos golpes baixos, só aceitos nas atuais lutas denominadas “vale-tudo”, nas quais os competidores podem aplicar quaisquer tipos de golpes para aniquilar os adversários. JUNQUEIRA revela que houve briga mesmo, com registro policial e tudo:
“Houve registro de meninos que foram agredidos. É, é. Aí nós começamos a
perceber que nós não estávamos ali com uma concorrência saudável como os
teóricos do capitalismo sempre pregaram. Nós estávamos diante de um
concorrente que não permitira jamais que nós, que nós ou que outros, pelo
jeito, não sei se foi assim com os outros também, surgíssemos. Talvez pelo fato
de que naquele momento fossemos um jornal novo, estarmos trazendo alguma
novidade em termos de jornalismo impresso e que, não sei, não creio que
ameaçasse, mas poderia acontecer algum tipo de busca, até mesmo pela
curiosidade, não é que eu esteja querendo ser tão modesta a esse ponto, mas
eu tenho a impressão que, eu não via nenhum motivo para ameaça”.
Ao que tudo indica, o concorrente do jornal Amazonas em Tempo sentiu-se ameaçado com a entrada de outro jornal no mercado: “A Crítica, pelo jeito, se sentiu, eu não acho que se tenha sentido ameaçada, ela se sentiu ofendida por alguém ter tido a coragem de montar um jornal”, comenta JUNQUEIRA. Ainda em 1987, época em que o jornal Amazonas em Tempo foi lançado, oferecer ao mercado um novo veículo impresso era uma ousadia. Talvez não apenas tenha sido considerado uma ousadia, mas uma ofensa. E a reação, segundo JUNQUEIRA, foi violenta demais:
“Foram atitudes muito violentas, de mandar bater nos homens que vendiam o
jornal, de enxotar, enfim, de tomar o jornal dos garotos e por aí vai. Foi nessa
base. Aí nós passamos a ter mais cuidado com isso embora, de certa forma, a
gente tenha tido o cuidado de não, não, não se sujeitar, não topar esse
enfrentamento. Nunca passou pela nossa cabeça esse tipo de enfrentamento.
Nunca. Até porque nós sempre tivemos métodos muito diferentes de fazer o
nosso trabalho. Desde o início. Como se não bastasse a gente conhecer como
era que funcionava algumas medidas e atitudes de jornais como esse, por
exemplo, não estou falando só aqui, porque existe outros, em outros lugares,
havia também uma questão muito séria que era o modo como se fazia o
jornalismo, também. Nós sempre soubemos como se fazia determinado tipo de
jornalismo. Nós sempre soubemos disso. Nós temos, inclusive, uma experiência
que aconteceu com o meu marido numa época em que a situação no País
estava crítica então um belo dia nós fomos surpreendidos”.
E complementa:
“Fomos surpreendidos por um editorial na capa do jornal A Crítica dizendo
que a fábrica em que ele trabalha, que ele trabalhava na época, ele trabalha
até hoje, estava em concordata. Iam pedir a falência dela. Ora, você sabe que
quando se fala isso de uma empresa, os bancos se fecham na hora. Vem um
editorial de capa. No rodapé da capa, que aquela fábrica ia.(à falência)”.
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
128
JUNQUEIRA não soube informar se o editorial não se trata de uma reação de quem já
sabia que outro concorrente entraria no mercado de Manaus, mas sabe que o editorial deixou a fábrica em dificuldades:
Não sei. Não foi muito distante, mas aconteceu. Bem antes. E esse editorial deixou a
fábrica em dificuldades porque os bancos imediatamente se retraíram e o meu
marido foi obrigado a pagar uma nota, na capa do jornal para dizer que não era
verdade, quando a Lei de Imprensa é muito clara e diz que se tem que usar o mesmo
espaço, o mesmo tamanho, o mesmo formato, para desmentir aquilo que você disse
e que não é verdade. E era uma mentira. Não era verdade. Nós soubemos os
detalhes disso muitos anos depois porque a pessoa que escreveu a nota ou o
editorial, o chamado editorial, hoje é grande amigo nosso”.
 
É curioso que, quando se faz uma análise do mercado para fins de pesquisa, na maioria
das vezes fatos como esses, determinantes para o comportamento do mercado e da concorrência, não tenham sido revelados. JUNQUEIRA diz que aquele período e os fatos funcionaram como um aprendizado, uma lição de como se faz jornalismo em Manaus: “Nós sabemos que pra fazer jornalismo, o impresso, nem só o impresso em determinados lugares, você tem também que conhecer essas regras”.
O Superintendente da Rede Calderaro de Comunicação, JOÃO BOSCO BEZERRA DE
ARAÚJO 168(2002) não admitiu que o jornal A Crítica possuísse qualquer tipo de estratégia, ainda que não-convencional, de barrar a entrada dos concorrentes no mercado de Manaus:
“Nós não temos nenhuma estratégia aprioristicamente definida para enfrentar
qualquer concorrente existente ou por vir. Evidentemente que, quando vem um
concorrente, a gente se esforça no sentido de não perder o lugar que temos,
não é, de veículo líder no estado do Amazonas”.
Ele disse também que, se houve algum caso de violência por parte dos vendedores
avulsos do jornal, a empresa não foi mentora de nenhum deles e nunca incentivou esse tipo de atitude por parte dos seus vendedores avulsos que, inclusive, são terceirizados. O jornal A Crítica lidera as vendas avulsas e é considerado o jornal de maior poder político no mercado do Amazonas ha tanto tempo que o próprio superintendente não sabe precisar: “A liderança eu não sei te dizer há quantos anos, mas estimo que essa liderança é de muitos e muitos anos”. Para ele, esse fato de ser o líder já funciona como uma barreira à entrada de concorrentes no mercado:
 “Isso já é uma coisa que barra a entrada. Mas, por exemplo, o último
concorrente que entrou com o objetivo específico de tentar tomar o lugar de A
Crítica em Manaus foi o Jornal do Norte, que entrou, era comandado pelo
empresário Paulo Girardi, e que tinha apoio massivo de políticos importantes
no Estado, inclusive, o governador do Estado, etc”.
Ele explica o que considera engraçado:
“Engraçado, o Paulo Girardi contou com o apoio explícito tanto do
governador Amazonino Mendes quanto do ex-governador Gilberto Mestrinho,
de quem ele, Paulo Girardi, é compadre e amigo. Então, ele entrou com um
jornal, com muito dinheiro. Trouxe muita gente de fora, Paulo Markun, Isa
Assef, um monte de gente, ganhando salários astronômicos, e nós cuidamos de
preservar a nossa posição”.
O Jornal do Norte foi a última tentativa empresarial de afastar o jornal A Crítica da
liderança do mercado em Manaus. A experiência durou pouco mais de um ano. O jornal
começou a circular em 1996 e saiu de circulação em 1997:
“Exatamente. Entrou em 96 e se acabou em 97. Esse jornal entrou muito forte,
com muito dinheiro, com um marketing pesado, mas nós entendemos que, se a
gente conseguisse preservar a imagem que nós temos diante da população de
jornal independente, de jornal que tem em si mesmo o seu objetivo, ou seja,
isto aqui não é uma empresa em que o jornal seja um apêndice”.
ARAÚJO credita a longevidade de A Crítica e a liderança ao fato de o jornal ser a
atividade fim do grupo Calderado e o A Crítica funcionar com carro-chefe da Rede:
O jornal é o carro-chefe. Então, por exemplo, o Paulo Girardi era um
construtor. Um homem ligado à construção civil. Um empresário forte da área
de Construção Civil. O jornal foi uma atividade diletante, sei lá. Estimulado
por esses políticos e tal, não é, e que achavam que o momento era oportuno
porque ele veio logo depois da morte do Umberto Calderaro Filho. Então, o
que é que eles pensavam e a gente sabia disso: morreu o Calderaro, ficou uma
filha mulher, ficou o João Bosco, que não é do ramo, porque eu vinha da
Universidade, onde eu fui professor por mais de 30 anos. Eles achavam que a
gente não teria competência necessária para manter”.
Ele diz que A Crítica, no caso específico do Jornal do Norte, tratou de manter a liderança:
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
130
“Então, no caso específico do Jornal do Norte, nós cuidamos por manter a
nossa postura, a nossa linha jornalística, a nossa independência, e não somos
amadores, fazemos do jornal o fim da atividade empresarial e não um ramo
diletante, um ramo acessório, como o seu Paulo Girardi fez, como o Chico
Garcia fez com o jornal A Notícia”.
A vice-presidente da Rede Calderaro de Comunicação, TEREZA CRISTINA
CALDERARO CORRÊA
169(2002), diz que a entrada de um novo concorrente, à época,
funcionou como uma alavanca e deu forças para superar a perda do dono da empresa:
“Na época, isso foi um gás para gente. O papai tinha falecido recentemente e
aquilo foi um ânimo para a gente não ficar enlutado por um período, empresa
familiar, com a administração muito centralizada na mão do papai. Então,
com aquela luta do Jornal do Norte, para mim, foi como eu me levantei. Eu
procurei centrar no produto, melhorar o produto. Foi quando eu pensei na
reforma gráfica radical do jornal, que era tempo já de fazer, nós já estávamos
sem reforma gráfica há 15 anos, que ninguém fica hoje em dia sem fazer um
ajuste gráfico no jornal e aí foi a hora que eu me movimentei. Da reforma
gráfica eu não quis ficar só numa maquiagem. Porque, às vezes, se faz uma
reforma gráfica e se faz só uma maquiagem no jornal, e a coisa, por si só, se
dilui. Eu aproveitei e fiz uma reforma editorial, também”.
Ela considera que a reforma editorial talvez tenha sido mais importante que a reforma gráfica:
“Essa é a mais importante. Nós demos uma virada no jornal. Hoje o jornal tem
cara de jornal de grande cidade, de metrópole. Você olha A Crítica ao lado da
Folha, de O Globo, do Correio Brasiliense, e A Crítica tem presença, tem
porte. E é elogiada pelos grandes jornalistas do Estadão, da Folha. Aly
Cammel se refere a A Crítica. Era editor chefe do jornal O Globo, hoje é
editor-chefe do Fantástico, e de jornalismo do Globo Repórter. Ele só se refere
a A Crítica como um dos jornais mais bem feitos do País”.
O desaparecimento precoce de jornais, em Manaus, não é fato recente e não tem em A Crítica,
como líder do mercado atual, a única explicação para o surgimento e a morte de jornais de forma tão
rápida. A professora da Universidade do Amazonas, MARIA LUIZA UGARTE PINHEIRO
170 (2001),
em tese defendida na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), explica:
169
CORRÊA, T. C. C. C. Tereza Cristina Calderaro Corrêa. depoimento: [set. 2002]. Entrevistador: Gilson Vieira
Monteiro. Manaus: USP, 2002. Meia fita cassete (30min), 3 ¾ pps, estéreo. Entrevista concedida ao projeto “Por um
clique...”.
170
PINHEIRO, Maria Luiza Ugarte. Folhas do Norte: letramento e periodismo no Amazonas (1880-1920). 2001
(Doutorado) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2001.
MONTEIRO, Gilson.
Por um clique: o desafio das empresas jornalísticas tradicionais no mercado da informação – Um
estudo sobre o posicionamento das empresas jornalísticas e a prática do jornalismo em redes, em Manaus. 2002. 309p. Tese
(Doutorado em Ciências da Comunicação): Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, 2003.
131
“O período que se abre na década final do século XIX, já se afigura como um
momento bastante diverso da fase inicial, mas passa a enfrentar outros
dilemas. Na opinião de muitos jornalistas locais, o que continuava a provocar
o desaparecimento precoce de muitos jornais, era agora o excessivo número
de periódicos em circulação, amplificando a concorrência frente a um público
leitor que, embora também já se mostrasse bastante ampliado desde a década
final do século XIX, parecia não possuir dimensões suficientes para assimilar
o conjunto dessa produção”.
Esse, certamente, é o mesmo problema enfrentado pelas empresas jornalísticas
tradicionais em pleno século XXI. O diretor industrial do jornal A Crítica, AROLDO
CAMINHA
171 (2002) atribui à modernização no Distrito Industrial da Zona Franca de Manaus,
que substitui homens por máquinas, o fato de as vendas de jornais haverem diminuído
sensivelmente em Manaus: “o Distrito, nessa época, empregava 85 mil funcionários diretamente,
hoje não tem 25 mil”, analisa. E complementa:
“Olha, nessa época, A Crítica chegou a tirar 32 páginas de Classificados.
Tinha um caderno de 16, 12 páginas só de empregos lá no Distrito. Todo o
mundo estava querendo ler jornal para ver quem estava oferecendo emprego.
Hoje não tem mais isso. Acabou. Hoje o Classificados de A Crítica, quando
muito circula com 8 páginas”.
Ele revela que quando Manaus possuía 250 mil habitantes, em 1968, somente o jornal A
Crítica, que não era o líder circulava com 8 mil exemplares. O jornal de maior circulação, à época era O Jornal, de propriedade de Maria de Lourdes Archer Pinto, curiosamente, como já se destacou neste trabalho, o berço do jornal A Crítica. Quando o Distrito Industrial gerava empregos a pleno vapor, na década de 70, o jornal A Crítica circulava com 36 páginas de classificados. AROLDO CAMINHA comenta:
“Isso já era em 70 e pouco, por aí assim. E A Crítica tinha, dentro dessas 36
páginas de classificados, A Crítica tinha 8 páginas de emprego. Então, havia uma
disputa muito grande no Distrito, para comprar jornal, para saber quem estava
empregando. Era a rotatividade de empregos que tinha no Distrito, na época”.
À época, o Distrito Industrial da Zona Franca de Manaus empregava aproximadamente 85 mil pessoas, entre executivos e funcionários do chão-de-fábrica. Com automatização da linha de produção, restaram aproximadamente 25 mil empregos, de acordo com os dados apresentados por AROLDO CAMINHA. Para ele, essa retração no nível de emprego é a responsável direta pela diminuição na circulação dos jornais, em Manaus. O Jornal A Crítica, que circulava com 36 páginas de Classificados
e dentro dessas 36 possuía 8 de empregos, hoje não circula com nenhuma página de empregos, de acordo com CAMINHA. Aos domingos, o caderno de Classificados foi reduzido para 16, 18 páginas.
“Quando muito, vai a 24 páginas”, revela CAMINHA. Nos dias de semana, o caderno de Classificados de A Crítica circula com apenas 6 páginas.
 
7.4 O posicionamento das empresas jornalísticas de Manaus
O foco, e como conseqüência o posicionamento, sempre foi um problema ao longo da história do jornalismo de Manaus. No jornalismo contemporâneo, o problema persiste. O Superintendente da Rede Calderaro de Comunicação, que edita o jornal A Crítica, JOÃO BOSCO BEZERRA DE ARAÚJO, comenta: “Como nós não fazemos especificamente um jornal popularesco, predomina na nossa massa de leitores, as classes A, B, com penetração em C, D e E”.
A vice-presidente da Rede Calderaro de Comunicação, TEREZA CRISTINA
CALDERARO CORRÊA revela que houve uma mudança gráfica e editorial em A Crítica, baseada em pesquisas, a fim de aprimorar o foco do jornal:
“Foi tudo calçado com pesquisas. Nós contratamos a Vox Mercado, depois a
Olgen Olsen, que é o maior pesquisador de mercado do País. Ele trabalhou
para a reforma do Correio Brasiliense, ele trabalhou para a reforma de O
Globo. Ele trabalha, basicamente, para os veículos. Nós gastamos muito mais
em pesquisa do que mesmo no projeto editorial, de reforma editorial e de
reforma gráfica. Tudo foi com base em pesquisa”.
ARAÚJO assegurou que, tanto na questão do foco empresarial quanto do foco editorial,
os movimentos da concorrência não mudam o foco do jornal, mas ele nega que o jornal seja destinado apenas às classes A e B: “Ele não é exclusivamente centrado nas classes A e B. Mas nos interessa preservar o domínio que nós temos nas camadas formadoras de opinião. Então, nós não fazemos um jornal como o Diário do Amazonas”.
No caso do jornal Amazonas em Tempo, sua diretora responsável, jornalista HERMENGARDA JUNQUEIRA, considera a empresa responsável por várias mudanças no perfil do mercado de jornais, em Manaus:
 “Eu considero a criação do Amazonas em Tempo vitoriosa em muitos aspectos.
Primeiro lugar, o mercado profissional na época, não existia. Ele era concentrado
no jornal A Crítica, alguma coisa que vinha, que ficava, no jornal A Notícia, que
existia também na época, Jornal do Comércio, mas que nunca saíram para uma
briga. Pelo menos A Notícia, num período sim, depois não”.
E complementa:
“O outro aspecto que eu considero vitorioso é que ele trouxe sim. Ele trouxe
uma experiência moderna, visual, gráfico-visual e implantou essa mudança.
Ele disse que era possível fazer, mostrou que era possível fazer, embora,
depois disso nós tenhamos, você já sabe o final. No momento não existia, pelo
menos naquele momento, não existia em termos de jornal, segmentação. A
segmentação por editorias era uma coisa muito confusa. Os jornais eram um
corpo só, onde distribuíam, naquele corpo, todos os setores da notícia:
misturava-se política com economia, cidade com geral, ou seja, o jornal um
corpo só. O Amazonas em Tempo trouxe, pela primeira vez, a segmentação.
Ele veio com a criação de um caderno de cultura isolado, com uma editoria de
economia isolada, com, enfim, isso aí eu acho um ganho muito positivo basta
você consultar os jornais da época para ver”.
Na fase moderna, após a reforma gráfica e editorial, o jornal Diário do Amazonas não
apresenta dúvidas quanto ao posicionamento. Seu vice-presidente executivo, FRANCISCO CIRILO ANUNCIAÇÃO NETO, é taxativo: “O nosso público-alvo, como todas as pesquisas apontavam, para o lançamento do jornal, eram as classes C, D e E”.
O diretor-presidente do Jornal do Commercio, jornalista GUILHERME ALUÍZIO DE
OLIVEIRA SILVA, revela que foi obrigado a mudar o foco do jornal em função de pressões políticas:
“Perseguição política. Perseguição política. Há uma...se você enfrenta o
Governo, você tem a antipatia do Governo. E, ou pode fazer uma coisa que é
indigesta, que é alinhar o seu veículo a uma política. Então, eu não me alinhei.
Não me alinhei e tive efeitos danosos na minha vida empresarial. Não é só de
jornal não. O Jornal não foi atingido. Foi atingido indiretamente. Os outros
negócios é que foram atingidos. Porque nós não fazíamos oposição ao
Governo, nós fazíamos um jornal independente. Nós fizemos o colarinho verde,
da Suframa, nós fizemos o Escândalo de Sefaz, que foi aquele escândalo da
Procuradoria da Fazenda do Estado, que acabaram com a Procuradoria
tamanho era o número de irregularidades praticadas lá”.
Em 1987, fase relatada por SILVA, o Jornal do Commercio brigava pela liderança em
vendas como Jornal A Crítica. Depois das sanções impostas ao jornal e às empresas da família, SILVA preferiu mudar o foco da empresa jornalística: “Então, eu prefiro hoje fazer esse jornalismo segmentado, projetando principalmente a economia do meu Estado, a estar envolvido nisso. É muito alto o preço. É muito alto o preço”. Ele foi taxativo ao concluir: “Eu duvido muito que um jornal que não negocia a sua verdade, sobreviva”.
SILVA, que também é presidente do Sindicato das Empresas Jornalísticas (SINEJA) diz
que essa não é uma característica apenas do mercado do Amazonas ou do mercado de Manaus:
“É do Brasil, do Brasil. Hoje o Jornal do Comércio, se o Governo mandar
matéria paga, qualquer coisa, ótimo. Se não mandar. Mas se amanhã sair uma
notícia que a Sefaz fez isso, aquilo, o Secretário da Agecom não vai telefonar
para censurar o jornal. Nós ficamos independentes de Governo, de Prefeitura.
Durante a campanha Política para a Prefeitura nós publicamos uma enquete,
uma pesquisa que encomendamos, que não foi agradável para o prefeito que
venceu, que é este (Alfredo Nascimento, prefeito municipal de Manaus). Desde
então ele resolveu que não publica um edital no nosso jornal. Não publica
nenhum. Coisa mesquinha, tacanha”.
Ele disse ficar satisfeito em não ser convidado para participar de alguns “negócios” do
jornalismo de Manaus. E conta um fato “curioso” para reforçar a imagem de idoneidade dele e da empresa Jornal do Commercio:
“E eu fico muito satisfeito. Outro dia eu falando com o Amazonino (Amazonino
Mendes, Governador do Amazonas), o Bosco (João Bosco Bezerra de Araújo,
Superintendente da Rede Calderaro de Comunicação) e a Cristina (Tereza Cristina
Calderaro Corrêa, Vice-presidente da Rede Calderaro de Comunicação) ficaram
muito chateados com um negócio que o Amazonino fez com o Diário do Amazonas.
A Crítica de vez em quando batia no governo dele e tal e ele se chateava, precisava
de um veículo que o defendesse. Então fez um negócio lá com o Diário do
Amazonas e A Crítica ficou chateada. Fez o comentário e eu transmiti a ele o
comentário. Ele diz: rapaz, fiz porque são uns loucos, eles vêm aqui, precisam de
dinheiro, eu vou e pago, no dia seguinte me dão traulitadas pra tudo que é lado. Eu
preciso ter uma coisa desse jeito. Pensei em ti. Mas tu não te prestarias para esse
serviço que eu queria. Então eu fiz com o Diário do Amazonas. Eu digo: puxa vida,
muito obrigado. Você sempre vai contar com o meu apoio. Não encontrou em mim
a pessoa que ele queria. Graças a Deus”.
O “atrelamento” dos jornais de Manaus ao poder, revelado pelo presidente do Sindicato das Empresas de Jornais (SINEJA) talvez seja a base das relações de troca. São essas as bases das empresas jornalísticas tradicionais de Manaus que norteiam a concorrência na Internet. E, como se verá a seguir, possivelmente, o funcionamento desse mercado tradicional de mídia, em Manaus, provoque uma miopia, um erro de foco grave que, ao longo dos anos, pode tirar as empresas jornalísticas tradicionais de Manaus da disputa pelo Mercado da Informação até da própria região.