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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Imagine se investisse em turismo?

Atrair 755 mil turistas em um ano pode ser considerada uma vitória! Não que o estado e, mais ainda, esta cidade-estado chamada Manaus tivesse estrutura. O Amazonas tem um potencial turístico enorme, está em um lugar em que o mundo todo quer conhecer, mas no entanto carece de uma infra-estrutura melhor e explorar de forma mais objetiva.
Já escrevi anteriormente que o Amazonas é um estado turístico mas não para turistas. Mas os dados divulgados pelo governo do estado hoje mostram que ainda há muito a crescer. A estimativa do Rio de Janeiro, estado mais visitado do Brasil, era de que três milhões, isso mesmo, TRÊS MILHÕES, de turistas visitassem a cidade apenas no verão.
Hoje, um turista que vem a Manaus tem poucas opções! Em apenas dois dias pode ir ao Teatro Amazonas, Encontro das Águas, alguns museus e... vai fazer o quê mais? Sem contar que o serviço para turistas em Manaus é sofrível: falta pessoas que falem mais de um idioma, as áreas onde pode-se comer os pratos típicos são localizados em locais pouco seguros, a orla da cidade é realmente de dar vergonha tamanha a desorganização e sujeira, enfim, uma série de coisas básicas que merecem uma atenção melhor por parte do poder público.
No Amazonas há diversos locais que podem ser explorados em pesca esportiva, turismo de aventura, ecoturismo e tantas outras vertentes que podem ser exploradas e sequer são incentivadas. Estamos sentados em uma mina de ouro e não a estamos sabendo explorar.


Abaixo o release enviado pela Agência de Comunicação do Estado.


Amazonas bateu a marca de 755 mil turistas em 2011



O Estado do Amazonas, em 2011, registrou um fluxo de 755.058 turistas residentes no Brasil e no exterior. O registro do ano passado representa um crescimento de 12% em relação a 2010, quando o Estado recebeu 675.713 turistas.



Esses dados são baseados no Boletim de Ocupação Hoteleira (BOH), na Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) e na movimentação de passageiros do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.



Do total de turistas que o destino recebeu no ano passado, 400.466 eram turistas nacionais e 266.254 eram estrangeiros. Nesse fluxo ainda foi registrado um volume de 88.338 pessoas que não especificaram sua procedência.



De acordo com a presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Oreni Braga, esse aumento no fluxo reflete o trabalho realizado pelo Governo do Estado na divulgação do Amazonas como destino turístico nas feiras nacionais e internacionais do segmento e que representa vários pontos positivos para o Estado, entre eles a movimentação financeira gerada pela visita dos turistas.



“Com certeza, esse é um dos principais ganhos para o destino, mas esse aumento acende uma luz de alerta para trabalhar mais e melhor para preparar cada vez mais nosso Estado”, disse a titular da pasta do turismo.



Um dos destaques do fluxo de turistas de 2011 foi o aumento de 13% no volume dos turistas nacionais. Em 2010, o Amazonas recebeu 352.879. Já no ano passado, esse número foi para 400.446. “O brasileiro começou, de fato, a conhecer o Amazonas e isso estamos percebendo nos últimos anos. Umas das justificativas para isso é a forte atuação do Governo do Estado nos principais eventos do setor fora e dentro do Brasil”, enfatizou Oreni.



A movimentação de internacional registrou um aumento de 10% em relação a 2010 (quando o Estado recebeu 241.510), chegando a marca de 266.254 turistas. O fluxo ainda registrou a chegada de 88.338 turistas que não especificou sua procedência.



Movimentação no aeroporto registra crescimento – De acordo com dados da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a movimentação doméstica de passageiros no Aeroporto Internacional de Eduardo Gomes no ano passado foi de 3.228.621 passageiros, o que representou um crescimento de 16% em relação a 2010, quando foi registrado 2.787.657.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Manaus, lugar onde transporte coletivo é um grande negócio

Transporte coletivo é algo que qualquer administração deve levar a sério em qualquer lugar do mundo. Mas em Manaus as coisas parecem ser feitas apenas para atender interesses das empresas e não da população. Licitações direcionadas, com participação de empresas que apenas mudaram o cnpj, aumento de preço da tarifa sem dados técnicos e simplesmente o alijamento dos processos de quem não concorda em dar aquela generosa contribuição nas campanhas eleitorais.
Há dois anos foi mostrado pela rede globo como funciona o esquema de compra de vagas em linhas, cessão para cooperativas e tudo o mais. Pois desde o ano passado o Ministério Público, através do Centro de Apoio Operacional e Combate ao Crime Organizado (CAO- Crimo), estava investigando denúncias que levaram a indícios que confirmam a participação do  superintendente de Transporte  Urbanos (SMTU), Marcos Cavalcante, em um esquema de compras de vagas no sistema de transporte executivo de Manaus, que movimentou, pelo menos, R$ 2,6 milhões.
O Transporte Executivo foi instituído em Manaus em 2005 pelo então prefeito Serafim Correa que, entre outras medidas, instituiu a integração temporal, que previa para quem usasse os cartãos cidadãos, vale transporte ou passe estudantil mais duas horas para pegar um outro ônibus de graça. Também instituiu a domingueira, que era uma tarifa social para os domingos, com a passagem valendo a metade. À época a tarifa era de R$ 2,20 e aos domingos valeria R$ 1,10. Após assumir a prefeitura, em 2009, Amazonino Mendes simplesmente encerrou as medidas alegando prejuízo às empresas. Isso mesmo, prejuízo às empresas.
Conversei com o presidente da Federação das Cooperativas de Transportes do Amazonas (Fecootram), Equias Subrinho, e ele confirmou as denúncias de que alguns dirigentes de cooperativas eram assediados para pagar ou deixar o sistema. Simples assim. mas que ão tinha como provar porque ele fazia isso no gabinete dele e seria a palavra dele contra a dos dirigentes e ficaria por isso mesmo.
Em sua defesa, Cavalcante disse que as denúncias foram embasadas em recibos de pagamentos que vão do período de 2006 a 2008. Mas peraí, deve ter alguma coisa errada nisso. Ele apresentou esses documentos e as denúncias foram feitas por dirigentes de pagamento de propina para Cavalcante no ano passado. E quem daria recibo de que pagou propina? Estranho isso, não?
Não é a primeira vez que Cavalcante é envolvido em denúncias de esquemas no transporte em Manaus. Ele já foi presidente da antiga Empresa Municipal de Transportes Urbanos (EMTU), em 1998, e foi eleito vereador com apoio das empresas do sistema de transporte coletivos. Entre suas realizações foi a quase cassação, após ser ob­jeto de uma CPI pre­si­dida pelo ex-vereador Gilson Gon­zalez, que apurou três acusações, com destaque para a dis­tribuição de placas de táxis em Manaus e manutenção de fun­cionários fan­tasmas no órgão.
Resta saber se o Ministério Público encaminhará a denúncia ao Tribunal de Justiça do Amazonas. É o mínimo que se espera. Enquanto isso, a população em sua maior parte vai esperando em média 45 minutos nas paradas de ônibus e em paradas que mal as protegem do sol e da chuva.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Amazonas, um estado turístico mas não para turistas

O governo do Amazonas realiza, através da Empresa Estadual de Turismo (AmazonasTur) as primeiras ações de promoções internacionais de 2012 no continente europeu. A primeira parada é em Madri, na Espanha, onde participa da 32ª edição da Feira Internacional de Turismo (Fitur). O segundo evento é a Feira Nórdica de Viagens Matka (Matka Nordic Travel Fair), em Helsinque, capital da Finlândia." A atitude é louvável e mostra que o governo quer incrementar o turismo, prejudicado desde a abertura das importações pelo então presidente Fernando Collor de Mello em 1990, destruindo totalmente o turismo interno de compras e não dando suporte para o turismo receptivo internacional.
Nos últimos anos a rede hoteleira de Manaus cresceu. Pulou do Tropical Hotel e Novotel para perto de uns dez hotéis com boa estrutura para receber não apenas turistas, mas também eventos. Pequenos eventos, é bem verdade, porque não há nenhuma política voltada para este importante segmento. E uma cidade com dois milhões de habitantes e encravada na floresta que leva a mais importante marca da atualidade (Amazônia) não pode ser furtar a deixar de faturar com esta fonte de recursos que movimentaria milhares de empregos diretos e indiretos.
Ora, quem não quer conhecer a exuberância da floresta amazônica hoje em dia? Realizar um evento de sua empresa? Mas esbarra pura e simplesmente na falta de infra-estrutura. Se um dia houver dois eventos de grande porte vai ser um corre-corre daqueles. Manaus não tem restaurantes e auditórios suficientes para isso.
Vou dar um exemplo de como o turista é recebido em Manaus. Semana passada estava em um shopping com um amigo e de repente chega um turista sueco, entrou, olhou a tabela de preços na parede, foi dar uma olhada em outros lkocais e voltou lá. Ficou parado esperando ser atendido. Não me contive e fui conversar com ele, em inglês, para saber o que ele estava procurando. Pura e siomplesmente jantar. Como o local estava lotado, convidei para sentar conosco e fomos conversando.
Não foi surpresa para mim ele dizer que tinha séris dificuldades de comunicação porque os estabelecimentos onde ele ia simplesmente não tinha ninguém que falasse sequer o espanhol ou arranhasse o inglês. Não pára por aí. Se um turista quiser ir fazer um passeio pelo encontro das águas, pode ser explorado por quem faz o serviço avulso em voadeiras, pequenos barcos que muitas vezes não oferece segurança nenhuma e conforto menos ainda, ou ir para as agências de viagens que fazem este tipo de passeio a um preço que também não é dos mais baratos. Mas para quem paga passagens caríssimas de avião para cá isso não deve ser problema.
No ano passado foi realizado o II Forum Mundial de Sustentabilidade no Tropical Hotel, com a presença do ex-presidente Bill Clinton e o ex-ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, que vieram apeso de ouro. Cachê de US$ 500 mil cada. Naturalmente que receberam apoio do governo do estado e da prefeitura de Manaus. Dizer que o evento atraiu turistas para cá é querer mascarar a realidade, já que isso não aconteceu, nem dizer que o evento chamopu a atenção do mundo para a Amazônia. Além do quê, no mesmo dia, circulou mundo afora as imagens do adolescente que foi baleado por policiais.
Pergunta: qual foi a imagem que ficou para o mundo? A de um evento mal divulgado e que funcionou apenaqs como caça-níquel para os promotores ou a de policiais atirando em um adolescente? Imagem essa que reflete exatamente a quantas anda a segurança no Amazonas.
Investir em turismo não é apenas participar de eventos e feiras para atrair turistas para o Amazonas. Isso aí a própria marca Amazônia jáo faz. Investir em turismo é propiciar condições para que empresários façam investimentos para oferecer melhores condições não apenas ao turista estrangeiro, mas também ao turismo interno e o turismo de eventos. Esse é um ponto de reflexão para que o governo estabeleça política pública de turismo e não apenas ir fazer oba-oba em eventos na Europa. Não quero nem falar em pesca esportiva, outro segmento que movimenta milhões de dólares por ano, mas que não tem tido a menor atenção por aqui.