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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Proama terá tarifa social para compensar investimento

Gosto de reconhecer quando se toma uma boa medida governamental. E ontem um desses casos quando, foi anunciado o acordo entre governo do estado e prefeitura de Manaus sobre como vai operar o sobre o Programa Água para Manaus (Proama), complexo de captação e distribuição de água localizado na Porto das Lajes, zona leste da cidade, que atenderá 500 mil pessoas. A previsão da entrada de operação é em dezembro deste ano. Falou mais alto o interesse coletivo e um bom aproveitamento dos R$ 368 milhões que custaram a obra. 
Tarifa social, delegacia própria para investigar furtos e fraudes do sistema de distribuição de água e regulamentação do Plano Estadual de Recursos hídricos estão previstos e bem amarrados. Claro que o desenrolar político disso, sobretudo em ano pré-eleitoral, também foi avaliado e levado em consideração. Também este processo será acompanhado pelos órgãos fiscalizadores e por nós cidadãos.
Segue mais informações fornecidas pela Agência de Comunicação do Estado!
Nos próximos dias, o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus encaminharão mensagens governamentais à Assembleia Legislativa do Estado (ALE) e à Câmara Municipal de Manaus (CMM), respectivamente, com as regras do modelo de gestão. Após a aprovação das casas legislativas e publicação da lei, o consórcio ganha personalidade jurídica e é convertido em contrato de parceria, com vigência até julho de 2045.
Conforme as regras do Consórcio Público, a operação do complexo de captação, tratamento e os reservatórios de água do Proama será concedida por meio de processo licitatório. As obras de interligação do complexo à rede de distribuição da cidade caberão à Manaus Ambiental, que deverá apresentar planilha de investimentos. 
De acordo com o governador Omar Aziz, ele e o prefeito Arthur Neto fiscalizarão as obras de interligação que devem começar a ser realizadas pela Manaus Ambiental na próxima semana. São 40 mil ligações para 130 mil residências, beneficiando cerca de 500 mil pessoas. “Não estamos pedindo um favor. A Manaus Ambiental tem a obrigação de fazer as obras complementares para as zonas norte e leste da cidade, pois a empresa é quem tem contrato de concessão do sistema de abastecimento de Manaus com a Prefeitura”, frisou.
Contrapartidas – Pelo modelo de gestão desenhado no Consórcio Público, a empresa que vencer a licitação para operar o Proama terá que remunerar o Governo Estadual como compensação ao investimento realizado. “Nós não estaremos dando de graça. O investimento feito pelo povo amazonense para que fosse feito o Proama, será revertido para a própria população”, destacou o governador, ao detalhar que 60% do lucro da operação do Proama serão do Governo Estadual; 30% da empresa que vai operar o complexo e 10% da Prefeitura de Manaus, para que faça investimentos na área de saneamento na cidade.
A concessionária do Proama vai fornecer água tratada no atacado à Manaus Ambiental, que vai pagar pelo serviço prestado. O valor da tarifa da água no atacado, bem como seu reajuste e revisão, vão considerar os custos de prestação dos serviços com base nos volumes medidos mensalmente. Segundo o protocolo, não serão contabilizados no custo tarifário os investimentos dos Governos Federal e Estadual, que devem ser a base para a criação e custeio da tarifa social a ser implementada para a população de baixa renda das zonas norte e leste da cidade.
De acordo com Omar Aziz, a tarifa social contemplará as famílias que compõem o cadastro do Programa Bolsa Família e que tenham consumo de 15 metros cúbicos de água por mês, limite que era de 10 metros cúbicos antes do Consórcio Público. Como contrapartida social, as famílias beneficiárias do Bolsa Família também não serão cobradas pelas ligações de abastecimento que serão feitas pela concessionária.
Segundo o governador, com a entrada em funcionamento do Proama, os poços artesianos que hoje existem nas zonas norte e leste de Manaus, serão desativados imediatamente, para que Governo do Estado também cumpra com seu papel na área ambiental.
“Estamos cumprindo essas etapas para dar uma solução definitiva. Quero dizer às pessoas que passaram a vida sofrendo por falta de um bem tão importante, que é a água, que eu e o Arthur não estamos medindo esforços para resolver esse problema o mais rápido possível”, destacou Omar Aziz.
O complexo do Proama vai produzir em média 2,5 metros cúbicos de água por segundo e vai beneficiar moradores de 21 bairros nas duas zonas mais populosas de Manaus. Somando com os cerca de 7 m³/s produzidos pela Manaus Ambiental, além de 1,5 m³/s do Mauazinho e 1,5 m³/s dos sistemas isolados (poços artesianos), a produção deve ultrapassar a demanda da cidade.
Consórcio - O modelo de gestão associada adotado pelo Governo do Estado segue as diretrizes do Ministério das Cidades e é o mais adequado para a interligação do Proama ao atual sistema de abastecimento de Manaus. O protocolo elaborado pelas procuradorias Geral do Estado (PGE) e do Município (PGM) foi feito com base na Lei Federal 11.107, que dispõe sobre a contratação de consórcios públicos. O documento detalha as normas de criação da direção, assembleia geral, conselhos fiscal e de regulação, gestão administrativa, estatuto do Consórcio Público, além dos critérios para criação de cargos públicos e contratação de temporários.
O Consórcio Público será presidido pelo prefeito de Manaus, Arthur Neto, com fiscalização de funcionamento a cargo do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O Consórcio Público terá a função de regular e fiscalizar o fornecimento de água em atacado. A gestão e operação compreendem os serviços de captação de água, tratamento e reserva, além das ações de combate ao desperdício, regulamentação do uso dos lençóis freáticos e controle efetivo da potabilidade da água.
Medidas complementares - De acordo com o protocolo de intenções, o Governo do Estado e a Prefeitura vão implementar algumas medidas para garantir o funcionamento do complexo, independentemente das medidas já cabíveis ao Consórcio Público. O Governo do Estado deve criar uma delegacia especializada para combater furtos e fraudes do sistema e regulamentar a Política Estadual de Recursos Hídricos, com vistas ao cadastramento ou licenciamento dos sistemas de captação de águas, inclusive por meio de poços e suas interligações.
Entre os compromissos assumidos pela Prefeitura de Manaus está a criação e revisão do Plano Anual de Metas e Investimentos da nova concessionária com as obras e serviços necessários a interligação do Proama ao sistema de abastecimento da capital. A Prefeitura promete exigir aporte de recursos da empresa privada para a consecução do plano. Outro compromisso assumido pela administração municipal é o desenvolvimento do plano municipal de saneamento e a implementação da tarifa social com gratuidade da ligação domiciliar para famílias de baixa renda, com consumo de 15 metros cúbicos de água por mês.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Empreiteira doa R$ 1 milhão e ganha obra de R$ 368 milhões

A discussão sobre o Programa de Água para Manaus (PROAMA) este ano tomou suas cores eleitoreiras após um forte debate, ou seria embate, entre os deputados Marcelo Ramos (PSB) e Chico Preto (PSD). Dados de um lado, defesa ostensiva de outro e no final das contas chega-se a conclusão que buscar solução para um problema sério que sequer deveria acontecer. O que não se falou foi que a obra, orçada em R$ 368 milhões, foi fetia por uma empreiteira que doou R$ 1 milhão para a a campanha ao senado de Vanessa Grazziotin (PCdoB), que fazia parte da chapa de Eduardo Braga.
Você que nunca esteve em Manaus, uma cidade de dois milhões de habitantes, às margens do rio Negro, jamais imaginaria que falta água nas torneiras da cidade, sobretudo nas zonas Leste e Norte. Pois falta!
Ramos é do partido do ex-prefeito Serafim Correa, que em 2006 decretou estado de calamidade por falta de água justamente para as referias zonas da cidade, e Chico é pré-candidato do PSD, fiel escudeiro do governador Omar Aziz e segue a pauta do senador e ex-governador Eduardo Braga.
Braga entrou com recurso no Ministério Público cobrando um posicionamento da prefeitura e da empresa Águas do Amazonas, para o cumprimento de um acordo assinado entre os três entes em 2008. O MP montou uma força-tarefa para aprofundar as investigações.
O problema de falta de água em Manaus é antigo. Vem desde que começaram as invasões e elas não são poucas. Nos anos 80 tiveram um boom e recebeu apoio do poder público. Gilberto Mestrinho, então governador, e Amazonino Mendes, prefeito e depois governador fomentavam esta verdadeira fábrica de votos que fez com que a cidade inchasse sem o menor planejamento.
A cada invasão nascia uma geração de eleitores dos programas assistencialistas pensados pela dupla para colocar em prática a profecia do Boto de que seu grupo governaria o Amazonas por 30 anos. Em uma eleição, prometiam regularizar as terras. Na outra, prometiam asfaltar e colocar água e luz. Para a próxima, outros benefícios e assim Manaus foi virando um monstrengo cheio de problemas que foram se agravando. A água é apenas um deles e não é o mais grave: segurança, saúde e educação são os principais.
Dito isso e voltando ao tema, o PROAMA ninguém discute que é preciso que se implante para abastecer as duas zonas mais populosas da cidade. Mas a questão é como ele foi implantado. Inicado em junho de 2009 e previsto para ser entregue em dezembro de 2010, até agora as obras ainda não foram concluídas. Chico Preto afirmou que uma balsa abalrroou a ponta de captação e este foi o motivo pelo atraso de um ano. Jamais apresentou sequer uma foto desse episódio.

Esta é a ponta de captação do PROAMA que supostamente sobre abalrroamento de uma balsa. Tirem suas conclusões.
As obras foram feitas pela Etam, empreiteira favorita do então governador Eduardo Braga e que doou para a campanha da então deputada federal e candidata ao senado na mesma chapa Vanessa Graziotin. Ora, se doou para a campanha de um da mesma foi apenas para não dar muito na vista.
E a Etam doou um milhão de reais, isso mesmo, um milhão de reais para a campanha de Vanessa. Ora, Vanessa jamais havia recebido doações de campanha de empreiteiras. E por que justamente quando está na mesma chapa do ex-governador recebeu R$ 3 milhões? A W.P Construções e Comércio fez uma doação de R$ 1,2 milhão, a Camargo Correa doou mais R$ 500 mil e outras pequenas empreiteiras doaram R$ 300 mil.
Ora, em 2010 o governo do Amazonas pagou mais de R$ 1 bilhão para empreiteiras. Não seria de se estranhar estas doações para Braga, mas para Vanessa também não. Já que o MPE fez uma força tarefa para investigar as obras do PROAMA, que busque esse fio e veja onde vai dar.