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terça-feira, 20 de março de 2012

Amazonas, campeão de obras atrasadas

Quando se fala em reforma de escolas e postos de saúde em qualquer lugar pensa-se em benefício para a comunidade onde a obra estásendo feita, certo? Não se você estiver no Amazonas. Quase diariamente estão sendo mostradas obras de postos de saúde e escolas que estão com atraso de mais de um ano.
Invariavelmente são obras com valores acima de um milhão de reais, de extrema importância para as comunidades onde estão inseridas. É o caso da Escola Estadual Humberto de Campos, no bairro da Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus, iniciada em novembro de 2010 e com prazo de 90 dias para ser entregue, até hoje ainda não foi concluída. O valor? A bagatela de R$ 1.629.295,36 para os cofres do governo do Estado.
A Secretaria de Educação informou que as obras não cumpriam as exigências estabelecidas e que por isso não deveriam receber a escola, o que levou a tomar as medidas necessárias para não prejudicar os alunos. O transporte escolar  foi uma das providência tomadas, além de buscar vagas em escolas próximas.
Mas a Seduc poderia ao menos cumprir o que diz o Código Brasileiro de Trânsito em relação
CAPÍTULO XIII
DA CONDUÇÃO DE ESCOLARES
        Art. 136. Os veículos especialmente destinados à condução coletiva de escolares somente poderão circular nas vias com autorização emitida pelo órgão ou entidade executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, exigindo-se, para tanto:
        I - registro como veículo de passageiros;
        II - inspeção semestral para verificação dos equipamentos obrigatórios e de segurança;
        III - pintura de faixa horizontal na cor amarela, com quarenta centímetros de largura, à meia altura, em toda a extensão das partes laterais e traseira da carroçaria, com o dístico ESCOLAR, em preto, sendo que, em caso de veículo de carroçaria pintada na cor amarela, as cores aqui indicadas devem ser invertidas;
        IV - equipamento registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo;
        V - lanternas de luz branca, fosca ou amarela dispostas nas extremidades da parte superior dianteira e lanternas de luz vermelha dispostas na extremidade superior da parte traseira;
        VI - cintos de segurança em número igual à lotação;
        VII - outros requisitos e equipamentos obrigatórios estabelecidos pelo CONTRAN.
        Art. 137. A autorização a que se refere o artigo anterior deverá ser afixada na parte interna do veículo, em local visível, com inscrição da lotação permitida, sendo vedada a condução de escolares em número superior à capacidade estabelecida pelo fabricante.
        Art. 138. O condutor de veículo destinado à condução de escolares deve satisfazer os seguintes requisitos:
        I - ter idade superior a vinte e um anos;
        II - ser habilitado na categoria D;
        III - (VETADO)
        IV - não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima, ou ser reincidente em infrações médias durante os doze últimos meses;
        V - ser aprovado em curso especializado, nos termos da regulamentação do CONTRAN.
        Art. 139. O disposto neste Capítulo não exclui a competência municipal de aplicar as exigências previstas em seus regulamentos, para o transporte de escolares.
No entanto, não é o que se vê nas fotos dos ônibus da empresa Dantas, uma das que faz o transporte das escolas:
 
Alunos entram em ônibus que não cumpre as normas do Código Brasileiro de Trânsito e ao lado da Escola Petrônio Portela, mais dois ônibus que fazem transporte escola

Do outro lado da cidade, no bairro Morro da Liberdade, zona Sul de Manaus, o posto de saúde que era para ter sido entregue em janeiro de 2010 também está com suas obras atrasadas e hoje sequer tem a placa com o valor da obra, mas o prazo de 90 dias para o seu término já expirou há um ano. O secretário de Saúde, Jose Deodato afirmou que ali não mais será um posto de saúde e sim uma policlínica, daí ter sido feito um novo processo de licitação, motivando o atraso.


Ocorre que não foi encontrado no Diário Oficial do Município nenhum processo licitatorio que foi apontado por Deodato. Agora é aguardar para que este edital apareça e as obras sejam reiniciadas. No entanto, como ficará como o que já deve ter sido pago para a primeira empreiteira? Ela ressarcirá o valor pago?
Se for falar em portos, a situação fica mais complicada. São 16 obras que estão atrasadas, alguns com mais de três anos. Em janeiro houve um desentendimento entre o superintendente do Departamento Nacional de Infra-estrutura do Transporte, Afonso Lins Júnior, e o governador Omar Aziz. Lins Júnior cobrou celeridade nas obras e Aziz se irritou e levou a imprensa para mostrar que estava sendo os portos.
Só não disse que o trapiche que está sendo feito em um estaleiro de Manaus, é apenas uma parte das obras dos portos e que a infra-estrutura não está sendo feita a contento. Tanto que em Manicoré, município a 368 Km de Manaus, não resistiu à força das águas e, antes mesmo de ser inaugurado, foi levado.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Quantas vidas mais?

Todos os dias as notícias de acidentes de trânsito passam por nós de forma corriqueira. Ontem, foi mais um que, de forma violenta, engrossou a triste estatística do trânsito em Manaus. E aí os problemas são inúmeros que vai desde a manutenção dos ônibus, passa pela sinalização das vias e termina com a engenharia de tráfego que simplesmente inexiste.

O ônibus biarticulado foi herança do sistema expresso, implantado pelo então prefeito Alfredo Nascimento (pronto, agora o Amazonino pode dizer que isso é problema da gestão antepassada, e não apenas da passada), portanto, não tem menos de oito anos circulando na cidade e carece de maior atenção na revisão.

Diariamente discutimos (para quem é usuário do tuíter) problemas no trânsito, apontamos eventuais soluções, mas o fato é que o poder público de fato faz quase nada. A impressão que tenho, e não apenas eu, é que se espera chegar a níveis insustentáveis para se declarar estado de emergência e poder tomar medidas sem licitação.

Conversei ontem com o presidente da Federação das Cooperativas de Transportes do Amazonas (Fecootram), Equias Subrinho, e o questionei sobre se as cooperativas tinham condições de entrar no sistema urbano. A resposta foi positiva e ele disse que não entrou até o momento porque não deixaram.

Porque cito logo de cara as cooperativas para atuar no sistema de transporte? Por não visarem fins lucrativos e sim o bem estar dos cooperados, elas podem baixar os custos e manter a tarifa no mesmo preço de hoje: R$ 2,25. E provaram isso em 2009, quando o prefeito quis passar a tarifa do transporte executivo de R$ 2,50 para R$ 3,00 e as cooperativas se recusaram porque muitas pessoas migrariam para o já saturado sistema urbano.

O resultado dessa “rebeldia” foi colhido no final do ano passado, quando foi anunciado o edital de licitação do transporte: as cooperativas foram excluídas da licitação pura e simplesmente. No lugar foram colocadas empresas que já operam no sistema. Tire suas conclusões! Aliás, já havia sugerido que as cooperativas fizessem transporte escolar e reduzissem o número de carros em filas duplas na frente das escolas particulares. Também não lhes foi permitido. Porque será?

Mas a questão é: quantas vidas mais serão tiradas e quantas pessoas mais serão mutiladas em acidentes de trânsito? Este ano foram mais de cem atropelamentos e igual número de acidentes com vítimas. Cresci ouvindo que acidentes de trânsito no Brasil matam por ano mais do que os 50 mil que morreram na guerra do Vietnam. Isso sempre me incomodou. Será que não há nada que eu possa fazer? Pelo menos levantar a discussão de forma séria?

Eu penso que devemos pressionar as autoridades a tomarem medidas mais eficazes. Ora, se colocar um redutor de velocidade na saída de um viaduto complica o fluxo de veículos, porque o órgão responsável não o retira? Construir uma passagem de nível na entrada do Campus Universitário não melhoraria o tráfego da área? Por vezes eu me pergunto se as soluções apontadas, tanto o BRT quanto o monotrilho, e amos com preços sobrefaturados são solução. 

O que nos falta? Falta exercemos o nosso papel de cidadão e parar de reclamar do usuário que está no mesmo ônibus lotado. Tem que reclamar do poder público para exigir que as empresas coloquem mais veículos circulando ao menos no horário de pico. Tem que parar de buzinar e xingar o motorista ao lado porque o trânsito está parado e pedir providências para que as autoridades melhorem o tráfego na cidade, afinal de contas, essa é a função delas. Ou não?