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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Interior sem INSS

Ao assistir reportagem nesta segunda-feira, 19.09, sobre a falta de postos no interior do Amazonas, me ocorreu que, em um estado de dimensões continentais é primordial que se faça o atendimento para que o ribeirinho receba o seu benefício. Dos 17 postos existentes do Instituto Nacional de Seguridade Social, dez estão na capital. Quer dizer, sobram sete para atender os ouros 61 municípios, sendo que as distâncias no Amazonas são enormes e não se medem em quilômetros, mas sim em dias de barco.

Isso é uma prova cabal de que o interior está desassistido e completamente abandonado pelo poder público. Claro, há as medidas paliativas: constrói-se um barco no estaleiro de um amigo apaniguado e presta-se um atendimento sazonal, quando a medida que resolveria seria construir e implantar os postos de atendimento que, na pior das hipóteses, evitaria o transtorno e .eventuais fraudes.

Em municípios próximos ou distantes a situação é a mesma: quem quiser se aposentar ou resolver problema de pensão tem que ir ao município mais próximo ou a Manaus. De alguns lugares para Manaus a viagem é de uma semana. Pelo menos. E há ainda a questão de a pessoa não ter dinheiro para fazer essas viagens, mesmo de barco, quem dirá de avião.

Vi a agonia do prefeito de Apuí, Marcos Macil, fazendo campanha nas redes sociais para que os deputados amazonenses se sensibilizassem com a situação das pessoas que esperam se aposentar naquele município do sul do Amazonas, enquanto o prefeito do careiro, Joel Lobo, aguarda um convênio com o governo federal para a construção de um posto, pois já tem uma área destinada para isso.

Enquanto seu lobo não vem, o jeito para os interioranos será fazer um pé de meia para que possa comprar uma passagem de barco para Manaus e tentar obter o benefício após os longos anos de trabalho.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Chegamos onde o governo queria!

O protesto feito hoje pelas cooperativas de transporte executivo após a morte de um de seus dirigentes ocorrido em um assalto seguido de morte mostra a quantas anda a segurança no Amazonas, mote de campanha do governador nas eleições do ano passado. Não pára por aí. O Amazonia em TV, da TV Amazonas está fazendo uma série de reportagens sobre o tema e mostra o quão abandonada Manaus está.

E nesta terça-feira mostrou a Cidade Nova, bairro mais populoso de Manaus, e como está sem policiamento. A queixa dos moradores e das pessoas que trabalham é constante mas nada na prática é feito. Nos terminais de ônibus o problema maior é de falta de policiamento e constantes assaltos, alguns seguidos de morte.

Mais cedo, o deputado Luiz Castro (PPS), evidenciou o descaso e o caos que vive a população de Eirunepé, o mais importante da calha do Juruá, com população de pouco mais de 30 mil habitantes, onde moradores em determinados lugares já pagam pedágio para poder transitar. Sem viaturas porque estão quebradas, os policiais usam as do Conselho Tutelar. Em outros municípios a realidade não é muito diferente.

No conjunto onde moro, Jardim de Versailles, na zona Centro-Oeste, está sendo elaborado um projeto de instalação de câmaras de segurança onde os moradores serão responsáveis pela manutenção. Somente esse ano 18 residências foram assaltadas, foi feito um relatório pelo presidente da associação, o senhor Tobias Ono, e foi apresentado para a Secretaria de Segurança Pública, de onde não veio nenhuma resposta. Sequer a polícia veio para fazer s diligências. Quer dizer, o cidadão vai ter que fazer sua própria segurança e diligências.

Voltamos ao clima da barbárie, já que se um assaltante for pego, corre o risco de os moradores fazerem justiça com as próprias mãos. Ou seja, chegamos aos tempos primitivos em pleno tempo de modernidade, onde as tecnologias estão aí para nos ajudar a monitorar ruas e estabelecimentos comerciais, mas o governo do estado insiste em encher as ruas de viaturas caríssimas, compradas sabemos de quem, para brincar de gato e rato com os bandidos.

Mas se você pensa que é apenas isso, saiba que já está bem pior do que imaginamos. Os gastos públicos do governo do estado já ultrapassaram os R$ 7,2 bi de um orçamento que prevê R$ 10 bi. Isso em apenas seis meses. Os dados foram repassados pelo deputado Marcelo Ramos (PSB), na sessão plenária na Assembléia Legislativa do Estado. Pelas contas do deputado, o Amazonas arrecadou R$ 4 bi no primeiro semestre, mas em compensação já gastou e/ou empenhou R$ 7,2 bi.

As contas não fecharão no final do ano. Pior que isso, afetará diretamente os investimentos que devem ser feitos para as obras da Copa 2014. Ou seja, provavelmente Manaus não será sede da Copa porque não poderá fazer convênios com o governo federal. O motivo? Algumas secretarias do estado estão devendo impostos federais. Governo em débito não tem como fazer convênios. E quem diz isso não é o deputado Marcelo Ramos ou eu. É o Tribunal de Contas do Estado.

Chegamos onde o governo queria. Há alguns meses eu havia dito que na segurança ia chegar ao nível de o estado ter que decretar estado de emergência ou calamidade para poder fazer contratações e compras sem licitação. Disseram que era teoria da conspiração ou que eu havia bebido demais. Pode até ser que eu tenha me excedido em algum momento, mas pelo andar da carruagem, a ressaca será de todos nós!