quarta-feira, 23 de março de 2011

Este é o “novo” Brasil? PM´s do Amazonas atiram à queima roupa em jovem da periferia

Da Itália
A lembrança torna veloz aos anos 80, ao documento da Escola Superior de Guerra brasileira que, refererindo-se à pobreza, aos sofrimentos e à violência daquele Brasil, falava da necessidade de “eliminar o problema”. A memória torna veloz àquela Manaus, fronteira amazônica e aos seus garotos torturados e assassinados cotidianamente nas delegacia de policia. O crime? Ter roubado uma botija de gás, ter incomodado o comerciante da periferia.

Assassinava-se por um nada naquele país refém de uma hiper inflação e que acabava de sair de uma ditadura que havia destruido inteiras gerações.
As crianças, o bem mais precioso de qualquer nação, estavam sendo extintos. Quando a cola que cheiravam não produzia os estragos nutrindo exércitos de “meninos de rua” era o estado de policia da pós ditadura que os eliminava. Os corpos encontrados nos varadouros, os “desovados”, eram chamados de vítimas de guerras entre gangs.
Se isso tivesse sido verdade Manaus, e boa parte do Brasil, viveu uma verdadeira guerra civil na década de 80.
Hoje dizem que o Brasil está diferente. Cresce, é um dos “grandes” do mundo.
Nunca será se não enfrenta com responsabilidade a desigualdade econômica, o escravismo moderno das classes dominantes. As imagens demonstram nesse vídeo.

Traduzione:
Questo è il “nuovo” Brasile? Poliziotto spara a bruciapelo a ragazzino nella periferia dello stato di Amazonas
La memoria torna veloce agli anni ’80, al documento della scuola superiore di guerra brasiliana che, riferendosi alla povertà, ai disagi e alla violenza di quel Brasile, parlava della necessità di “eliminare il problema”. La memoria torna a quella Manaus, frontiera brasiliana, e ai suoi ragazzini torturati e assassinati nei commissariati di polizia. Il crimine? Aver rubato una bombola di gas o aver dato fastidio al piccolo commerciante locale.
Si uccideva per un nulla in quel paese ostaggio della superinflazione e appena uscito da una dittatura militare che aveva spazzato via intere generazioni.
I bambini, il bene più prezioso di qualsiasi paese, venivano estinti. Quando la colla da sniffare non produceva i suoi danni, nutrendo interi eserciti di “meninos de rua”, toccava allo stato di polizia del dopo dittatura. I cadaveri ritrovati nelle boscaglie venivano bollati come i “desovados”, ovvero le vittime della guerra tra le gang.
Oggi il Brasile è diverso, ci dicono. Cresce, è uno dei grandi del mondo.
Non lo sarà mai se non affronterà con responsabilità la disuguaglianza economica, la schiavitù moderna delle classi dominanti. Le immagini lo dimostrano.
Il video mostra un poliziotto che spara a bruciapelo ad un giovane di un quartiere periferico dello stato di Amazonas/Brasile.

Essa é a segurança que prometeram?

Violência policial é um assunto que nunca me surpreendeu! Nem por isso eu deixo de me indignar com as ações as quais tomo conhecimento. Quando vi a reportagem na TV A Crítica e depois a versão online não pude deixar de lembrar, e expor, o que mais acontece na briosa Polícia Militar do Amazonas. E digo isso para proteger a história desta centenária instituição que não merece a parte suja que a integra hoje.

Lembro, por exemplo, o assassinato da estudante Ana Délia Albuquerque, em 1992, assaltada, estuprada e assassinada por um policial militar, fardado, que estava de férias. A exemplo do que foi feito no caso do estudante que hoje vive em programa de proteção à testemunha, o comando da PM também negou as acusações e defendeu os criminosos fardados. Menos mal que o estudante sobreviveu e pôde fazer a denúncia.

Não são poucos os números de policiais que são afastados ou sendo investigados por associação ao tráfico, extorsão, concussão, e outros motivos que levam à expulsão da corporação. Mas espera aí, essa e a palavra-chave, da qual deriva corporativismo, que é exatamente onde se baseia o argumento de legítima defesa apresentado pelo comando da PM.

Lembro bem quando do episódio da morte de Ana Délia, questionamos o comando da PM o que estava sendo feito, nos responderam que estavam sendo feitas diligências e tudo o que fosse possível, pois o caso estava tendo uma grande repercussão na imprensa. Eis aí um outro grande motivo de rápida averiguação: a pressão de familiares e amigos junto ao poder público através da imprensa. Mas será que sempre será assim, as coisas por aqui somente funcionam se houver exposição na mídia? Não dá para cumprir o seu dever?

Mas um episódio mais grave ocorreu naquele caso: a PM já estava com o autor do crime contra Ana Délia preso e estava relutante em apresentá-lo. Como a irmã de Ana Délia sobreviveu, identificou o autor, o ex-pm Afonso Araújo de Almeida, e havia pistas sobre o paradeiro dele, temia-se pela integridade física dele. Ora, na época estava em discussão a pena de morte e os amigos e familiares eram, e ainda são, contra. Portanto, essa argumentação é falsa. O mesmo argumento pode estar sendo usado agora mas, como antes, não deve se sustentar.

Lembro bem que o governador Omar Aziz disse, logo após ter sido reeleito, que cuidaria pessoalmente da segurança independente de quem fosse o secretário. Pois bem, ele fez o desafio a si mesmo e sei que não se resolve de uma hora para outra, até porque exige a realização de concursos, treinamento, melhor aparelhamento, inclusive do setor de inteligência e perícia. Mas espera aí, ele já está no governo, ainda que como vice e, por algum tempo como secretário de segurança, e as coisas não melhoraram. A desculpa de que era um outro governo nem pode ser usada aqui.

Foi anunciado pelo próprio Omar investimentos de R$ 200 milhões para a implantação do programa Ronda nos bairros, que foi o grande mote da campanha. Espero que seja realmente bem aplicado. Mas espero também que outras medidas sejam tomadas para que haja uma depuração do atual quadro da segurança pública do Amazonas. Eu já fui parado por policiais visivelmente drogados, já vi policiais recebendo propina, já vi policiais agredindo pessoas sem que nada elas tivessem feito e, se outras pessoas forem questionadas, poderão ter histórias parecidas ou diferentes, mas sempre haverá.
Que não sejam jogados para debaixo do tapete os casos de falta de investimentos como o que foi mostrado nesta terça-feira, 23.03, em que a "viatura" que faz o policiamento é um carro descaracerizado de 2002. Isso é o que é mostrado e contradiz o que divulga a propaganda oficial!

Conheço inúmeras pessoas que tem mais medo da polícia do que de bandidos, pois se forem assaltadas, é só aquilo de material que levam. Claro que existe ainda o trauma que fica. Mas é bem pior encontrar um policial mau intencionado, atrás do “do guaraná”, que pode forjar um flagrante e acabar com a vida de uma pessoa. Esse é o mau maior! E não é essa segurança que queremos, bem como cabe a pergunta: é essa a segurança que nos prometeram?

E para os que pensam que desejo um mau governo a Omar Aziz estão redondamente enganados. Muito ao contrário, desejo que ele faça um governo de avanços no combate à corrupção, sem superfaturamento em obras, que incentive a geração de emprego e renda, que fortaleça a economia do interior, entre tantas outras coisas. É isso!
Post scriptum: sempre converso com colegas da imprensa sobre fazer reportagens abordando o assunto e sempre ouço as mesmas alegações de que o veículo em que trabalha não fará porque tem comprometimento com o poder público ou, pior ainda, temem receber ameaças por parte de policiais.
P.S.2: Quero deixar bem claro que na corporação da briosa Polícia Militar do Amazonas a maioria é de bons policiais e estes, em respeito á farda que usam, deveriam ser os primeiros a pedir pela saída dos maus policiais que enxovalham e desonram a corporação.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Porque escolhi o PEN!

O ser humano é, por essência, um ser político. É assim quando nem mesmo pensamos que estamos sendo. Seja no trabalho, em casa, na escola, na rua, enfim, em qualquer lugar que estejamos, estamos cometendo atos políticos. Não quer dizer necessariamente política partidária, como se costuma pensar logo que se fala no tema, mas é sim um ato político.

Também é um ato político quando nos queixamos do mau atendimento em um estabelecimento comercial ou repartição pública, ou quando nos manifestamos contra qualquer tipo de injustiças ou medidas dos governantes quando assim as consideramos. Deveríamos exercitar isso sempre, tornar isso um hábito. Sobretudo porque isso é um reflexo do nosso amadurecimento como cidadãos. Aliás, ser cidadão exige em mais do que exercer o direito ao voto, esse engodo que por décadas nos fizeram engolir como se fosse a solução de todos os nossos problemas.

Não é bem assim! Votar é apenas a metade do caminho, pois para fazer a escolha que o processo eleitoral já nos exige o exercício de escolher por aquilo que consideramos ser a melhor alternativa. No entanto, a cultura assistencialista, da falta de discussão dos projetos, até mesmo porque em alguns casos eles sequer existem, do nojo que fizeram a maior parte da população sentir pela política, através do desbotado, mas ainda infalível discurso do: futebol, religião e política não se discute!

Ora, futebol é a paixão nacional e, como toda paixão, é irracional. Mas ainda assim se permite discutir. Religião e política se baseiam na ignorância, que vai no caminho diametralmente oposto de discussão, onde se expõem argumentos e, portanto, se leva a esclarecimentos. De religião falo em um outro momento, pois agora trato de política.

Por toda a minha vida acompanhei política. Participei e vi momentos importantes da política local e nacional. Foi assim na luta pela meia-passagem dos ônibus, dos comícios pelas diretas-já, das inúmeras manifestações grevistas de diversas categorias, sobretudo dos professores. Participar do movimento estudantil era a escola de formação política, de onde se ganhava a prática da discussão e se desenvolvia o poder da oratória, da leitura de teóricos execrados. Ah Bakunin, Malatesta, Proudhon, Nietszche, Foucault, quase nada de Marx. Sim, eu não sou marxista!

Durante esses quase 30 anos de militância política, em algumas campanhas trabalhei em serviço de assessoria, apostando que as coisas poderiam mudar. Por vezes vi as coisas acontecerem, como em 88 quando Arthur Neto venceu Mestrinho, era uma centelha de esperança em um momento delicado, em que as práticas populistas pareciam estar se encerrando. Ledo engano! As forças que mandam, e comandam, a política amazonense ainda são muito fortes.

Mas o tempo passou e sobrevivi a Gilberto Mestrinho e estou vendo os últimos dias de Amazonino Mendes. Bem como vejo um hiato político causado pela última campanha e acentuado pelo anúncio de que o PSD será formado com a cisão do PSB e os dissidentes do PSDB e do DEM. Mas não é isso que me faz tomar a decisão de me filiar a um partido, sobretudo após tantos anos militando e sendo acusado de integrar esse ou aquele partido. Meu caminho é outro. Escolhi o PEN, no qual estou empenhado em colher assinaturas de apoio.

O que me leva a ingressar no Partido Ecológico Nacional é que as pessoas que o integram no Amazonas tem o mesmo pensamento que eu. O partido não é ligado a esse ou aquele grupo, menos ainda tem medalhões da política nacional ou regional! Tem orientação de centro-esquerda. Mas mais que isso, não é um partido novo com velhas práticas, velhas mentalidades, velhas pessoas, mas sim um novo partido, com novas pessoas.

Pessoas que se opõem a oligarquia que impera no Amazonas e no Brasil. Conheci o PEN através do Linvinston Ferreira, quando fui ao Careiro-Castanho para conhecer o município. Fiquei surpreso com o desenvolvimento pelo qual a cidade passou e mais ainda por saber que tinha quase nenhuma verba do estado. Isso depois de passar por uma gestão desastrosa que deixou um rombo de R$ 15 milhões.

Também integra o partido no Amazonas o Marquinhos da Macil, prefeito de Apuí, um outro município que também não é alinhado com o governo estadual. E demonstrou isso na última campanha tendo sido o único no estado que impôs derrota ao grupo que domina. Não à toa tem dificuldades em fazer convênios com o governo.

Mas se é para ser ecológico, porque não ingressar no PV? Porque penso que é possível sim trazer desenvolvimento e preservar a natureza ao mesmo tempo e não é que o PV prega! Porque sou cooperativista e sei que esse modelo é o ideal para que haja distribuição de renda e geração de emprego para a população. E, pelo que ouvi da própria Marina Silva, há um desconhecimento total dela sobre o assunto.

Antes de tomar essa decisão ouvi várias pessoas e por várias vezes as ouvi me dizendo que seria importante sair uma pouco mais do discurso e partir para a prática. Mas sobretudo ouvi a minha consciência de que o momento para dar a minha contribuição mais efetiva ao desenvolvimento para o Amazonas é agora e por este partido. E assim o será!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Licitação em Manaus, um jogo de cartas marcadas!

Após o escândalo da Consladrões, ops, Consladel, apresentado em reportagem no Fantástico, a atual gestão da prefeitura de Manaus mostrou como trata a coisa pública: disse que manterá e renovou o contrato com a empresa. E você deve estar achando um absurdo, não é? Pois não é! Se você for analisar outros contratos de licitações da prefeitura de Manaus poderá encontrar outros casos mais escabrosos. O bola da vez é o do transporte coletivo, que está em vias de ser anunciado o resultado. Para começo de conversa elimina a tarifa social aos domingos, que é de R$ 1,10. Criada em 2005 pela gestão anterior, permite aos usuários pagar pelo serviço que é prestado, tendo em vista que as empresas reduzem o número de veículos para fazer o transporte da população. Um outro ponto já pré-definido nessa licitação é que o transporte executivo, atualmente feito pelas cooperativas de transporte e mais duas empresas, deixará de ser feito apenas pelas empresas, já credenciadas. Mas o detalhe escabroso não está aí, mas sim na história. Em 2009 Amazonino Mendes tentou passar a tarifa do executivo de R$ 2,0 para R$ 3,00. As cooperativas se recusaram a dar o aumento por um motivo muito simples: prejudicaria a população e colocava em cheque o já combalido sistema. Uma paralização dos motoristas obrigou o alcaide teve que retornar ao preço de R$ 2,50. O prefeito, humilhado, teve que recuar, mas sob a ameaça de tirar a concessão das cooperativas, conseguiu seu objetivo: passagem do executivo em R$ 3,00. Para participar da licitação, as empresas que concorrem ao processo de licitação, precisam dar garantias de que possuem garagem e ônibus em Manaus. Qual não foi a surpresa ao verem que as empresas novas que querem operar aqui apresentaram garagem e ônibus de empresas já existentes e operando na cidade. Ou seja, será trocar seis por meia dúzia! Mudarão apenas os nomes das empresas, os proprietários serão os mesmos!


No começo deste ano, Amazonino prometeu mil ônibus sem que a tarifa fosse elevada. Essa era uma das condições para que as empresas permanecessem operando. Mais uma vez foi palavra jogada ao vento. O aumento vem antes dos ônibus. Mas um detalhe que quase passa despercebido é que tudo que está sendo anunciado, como a elevação da tarifa para R$ 2,80, 26% do valor de R$ 2,25, é um valor que já estava pré-definido. Os cálculos para chegar a esse valor nunca são mostrados. O titular da Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT), Marcos Cavalcante, já havia anunciado antes que as cooperativas ficariam de fora, disse que o aumento vai para a análise do prefeito. Ora, se o valor já foi passado baseado em uma planilha de custos que ninguém tem acesso, o máximo que poderemos ouvir do prefeito é o seguinte: “O Negão aqui, que é o pai de todos vocês, que está sempre pensando no bem de vocês, não ai ceder aos empresários e não vai dar esse aumento de R$ 2,80 porque é um exagero tal qual queriam me cassar por aquela declaração infeliz. Pensando em vocês, para não ficarem com o problema do troco, a tarifa ficará em R$ 2,75”.



Post Scriptum: E para quem não lembra, ou não sabe, Marcos Cavalcante já foi presidente da antiga Empresa Municipal de Transportes Urbanos (EMTU), em 1998, e foi eleito vereador com apoio das empresas do sistema de transporte coletivos. Entre suas realizações foi a quase cassação, após ser ob­jeto de uma CPI pre­si­dida pelo ex-vereador Gilson Gon­zalez, que apurou três acusações, com destaque para a dis­tribuição de placas de táxis, em Manaus e manutenção de fun­cionários fan­tasmas no órgão.



quarta-feira, 16 de março de 2011

Mobilidade urbana pode deixar Manaus fora da Copa de 2014

O deputado Marcelo Ramos (PSB) foi a Brasília hoje para checar a informação de que Manaus não assinou o termo de compromisso de mobilidade urbana, estabelecido pela Fifa (Associação das Federações Internacionais de Futebol, da sigla em inglês) para a realização da Copa do Mundo de 2014, o que pode deixar Manaus de fora. “Isso é um fato gravíssimo e merece que a informação seja checada junto ao Ministério dos Esportes para que sejam tomadas as devidas providências para que Manaus, em função desse não-compromisso, seja deixada de fora como sede da Copa”, afirmou Ramos.

A informação foi dada ontem no plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), quando estava sendo discutido o caso do contrato entre a prefeitura de Manaus e a empresa Consladel, que foi citada como especialista, em reportagem no programa Fantástico, da rede Globo, como uma empresa especialista em participar de licitações fraudulentas. O início da discussão foi feita pelo deputado Marco Antônio Chico Preto.
Segurança e infraestrutura são requisitos considerados fundamentais pela Fifa e passível de cancelamento da cidade como sede da copa. Sem esse compromisso de mobilidade urbana Manaus poderia ser deixada de fora. No momento, tanto o monotrilho quanto o BRT tiveram seus projetos rejeitados pela Controladoria Geral da União por diversos problemas, entre eles
sobrefaturamento do valor da obra.
Há meses vem se arrastando a aprovação dos projetos e o governo do Estado entrou em rota de colisão para ver qual o modelo a ser adotado para melhorar o sistema de transporte, sempre esbarrando na questão dos valores para a realização das obras. Enquanto isso os prazos para as realizações das obras vão diminuindo!
Há anos a questão do trânsito em Manaus é questão de difícil solução por parte do poder público e nunca houve real interesse em resolver a questão. O aumento do poder aquisitivo e a facilidade na aquisição de veículos apenas agravou uma situação que se resume a uma coisa: se o transporte coletivo fosse que qualidade e confiável, as pessoas deixariam os carros em casa.

Gente que se diz do #bem mas faz mesmo é o mal!

O maniqueísmo sempre foi a forma mais estúpida de separar as pessoas. Trata-se de dizer que quem não estiver a meu favor está, esteve ou estará contra. Isso permeia a humanidade desde que se estabeleceu relação de poder, sem discutir o que é melhor para o conjunto, mas sim o que for melhor para quem estiver no comando, poder. Não vou usar o termo liderança pois este é superior a governante.

Sou usuário das redes sociais não apenas pela febre que ela se tornou, mas sobretudo pelo que podemos manifestar nela, sem a preocupação se ela vai ser publicada ou não por esse ou aquele veículo de comunicação. Aliás, muitos veículos de comunicação tem se pautado por elas.
Mas desde o final de 2009, quando o twitter passou a substituir o Orkut e passou a ser uma forma mais eficiente de divulgar os blogs já existentes, lugar onde as idéias podem ser esmiuçadas bem melhor que nos 140 caracteres do microblog, as ameaças e agressões a tuiteiros passaram a ser freqüentes e de forma mais venal. Passaram da acusação de penas de aluguel a ameaças e dando o endereço dos blogueiros nos sites dos puxa-sacos de plantão.

Mais que isso: passaram a atacar a integridade moral das pessoas e, sem o menor pudor, passar no loca de trabalho e pedir aos empregadores que demitissem os “subversivos”, pura e simplesmente porque estavam emitindo suas opiniões e apontando soluções, questionando ações governamentais, enfim, exercendo cidadania.

Nas eleições do ano passado as coisas pioraram, com o monitoramento das redes sociais mais forte e passando também para monitorar os tuiteiros. Não se podia falar nada do candidato governista ou de algo relacionado a ele, que choviam agressões, no típico ato desesperado de desqualificar a quem faz o questionamento, desviando o foco da questão discutida.

As eleições passaram e a prática continuou. A fábrica de fakes que surgiu na campanha seguiu funcionando e sempre se manifesta quando você está tratando de um assunto ou fala algo de determinadas @s. Surgem logo na sua timeline as defesas mais estapafúrdias possíveis. Isso demonstra o monitoramento virtual. Mas para provar que do virtual passou para o real, vou relatar um fato.

Marcamos um almoço entre várias @s incluindo um prefeito do interior. Como o almoço foi marcado pelo twitter e uma das @s havia falado algo sobre aquela @ que não pode ter seu nome citado (isso é muito Harry Potter, né Lord Valdmort?), estava sob fogo cerrado na timeline. Ao chegar no restaurante foi notada a presença de um policial da Segunda Sessão da Polícia Militar, responsável pela inteligência da PM. Foi um aviso, naturalmente.

Nos últimos dias várias pessoas voltaram a ser ameaçados, alguns de forma velada, ouros de forma mais aberta. Mas justamente por pessoas que se dizem do #bem, sim, com o símbolo grego escopro, largamente conhecido como jogo da velha. Mas como se chamar do bem se vivem fazendo ameaças e agredindo as pessoas que, de alguma forma, fazem uma crítica ao governo e seus representantes.

Como pode alguém se autointitular do bem se incita agressões ou, na pior das hipóteses, não coíbe essas agressões e ameaças? Que maniqueísmo de mentes bitoladas é esse que tenta se instalar no Amazonas, quando o que esses cidadãos querem é que as coisas melhorem? Defender superfaturamento e outros ato de improbidade administrativa não é condizente com quem se diz
do bem. Se ser do bem é isso, prefiro muito mesmo ser do mal! Afinal de contasm, falar a verdade não é falar mal!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Palavra de usuário vale?

Post originalmente publicado no www.naosenhor.com.br no dia 27 de maio de 2010


Atrazonino, ops, Amazonino falou que faria administração moderna. Alguém tem que apresentar a ele o conceito de modernidade e dizer que ouvir os usuários de qualquer serviço que a prefeitura tenha gerência faz parte desta tal modernidade.

Por Robson Franco.

Não sei se o prefeito anda pelas ruas da cidade. Me parece, pelas medidas anunciadas nos últimos dois dias, que não. Aliás, abro um parenteses aqui para recordar uma notícia que vi no Jornal do Amazonas semana passada, em que o Prefeito ordenou que o IMTT tomasse providência em relação ao trânsito em uma determinada área porque ele ficou 20 minutos preso em um engarrafamento. Isso dá a exata medida de como ele está interesado em resolver os problemas da cidade. Não o afeta, não é com ele.

Quem me acompanha no tuiter sabe que eu sempre falei que se a Pefeitura contratar um engenheiro de tráfego já resolve 80% dos problemas de trânsito em Manaus. Mas tem certas coisas que já não tem mais como consertar, como passagens subterrâneas sem acostamento e novas vias que ligam nada a lugar nenhum. Tudo, naturalmente, feito a peso de ouro e por empresas já previamente escolhidas.

O transporte coletivo em Manaus tem solução que requer medidas drásticas e não-corruptas. Abrir o mercado para outras empresas, se bem que isto já não depende do cartel do transporte que existe em Manaus, mas do que manda no Brasil. Cobrar as metas estipuladas nas concessões às empresas que operam em Manaus, como a renovação das frotas e a manutenção dos carros que circulam atualmente. Tá certo que uns já deveriam ter sido aposentados e tirados de circulação. Alguns veículos trafegam em Manaus oferecendo condições desumanas a seus usuários. Algumas linhas como 611, 604, 353 e tantas outras que servem a Zona Norte e Zona Leste são vergonhosas.

Claro que não há compromisso da prefeitura, gestora do sistema, com o usuário. Na última greve dos ônibus, ficou patente a ingerência do alcaide na questão e ele deve ter ficado fulo da vida porque o Ministério Público do Trabalho tomou a frente e chegou a um termo entre o Sindicato dos Rodoviários e o Sinetram. Amazonino não pôde ficar de salvador da pátria. Menos mal para nós!

Quando faço uma crítica, costumo apontar soluções. Ano passado, quando o alcaide tentou instalar o caos no sistema de tansporte quis fazê-lo dando um aumento na tarifa dos alternativos, em sua maioria feito por cooperativas. O Aumento na tarifa cobrecarregaria o já estrangulado sistema coletivo e pediria uma medida mais drástica do poder público, como intervenção e eventual contratação sem licitação. Não funcionou porque as cooperativas, ao contrário das outras empresas, não visam lucro, mas sim o bem estar de seus cooperados. Amazonino teve que recuar. Este ano, já escaldado, aumentou a tarifa e ameaçou cancelar a concessão das cooperativas. Só assim aceitaram o aumento.

Mas tem um problema no trânsito que as cooperativas poderiam resolver, sem ter que esperar pela tal licitação que virou novela para aumentar a frota de ônibus alternativos. Conversei com o Equias Subrinho, presidente da Federação das Cooperativas de Transportes do Amazonas (Fecootram) e sugeri que ele fizesse uma proposta às escolas particulares para fazer transporte escolar. Isso reduziria sensivelmente as filas duplas em várias vias de acesso no horário de pico do trânsito em Manaus. Não apenas isso, reduziria custos para os pais e também contratempos. Nenhum pai ou mãe teria que sair correndo do trabalho para ir buscar ou deixar os filhos na escola. Menos carros no trânsito, menos nervosismo nas ruas!

Ônibus climatizado em Manaus é necessidade básica. Me questionaram uma vez se uma mulher com cinco filhos, todos gripados, entrando no ônibus, qual seria o procedimento? É para tratar da regra ou da exceção?

Porque os ônibus são tão mal-cuidados em Manaus? Basta os empresários cuidarem melhor de seus funcionários, oferecerem condições mais dignas de trabalho e eles não vão depredar os veículos. Já vi alguns fazendo isso. Não concordo com o pensamento deles, mas entendo e sempre pondero que isso não resolve nada e é feito por minoria. Quer aumento de salário, engrosse o coro do seu sindicato, fortaleça a sua entidade representativa e terás poder de nogociação com os patrões.

Minha pequena contribuição ao debate sobre o sistema de transporte coletivo em Manaus. Não existem soluções mágicas, mas é preciso que se abram as discussões e o principal interessado, o usuário seja ouvido. Prefeito, faça um pesquisa, de preferência use o Instituto de Pesquisas do Departamento de Estatística da Ufam, que vai sair mais barato e mais confiável! Ainda lá na Ufam, na Faculdade de Tecnologia, existe um departamento que cuida de tânsito. Seja humilde e busque auxílio com quem sabe!